A Câmara Municipal aprovou o texto substitutivo da Revisão da Lei de Zoneamento. Os impactos irreversíveis decorrentes dos excessos de verticalização já aconteceram, principalmente em Pinheiros, Butantã, Moema, Santo Amaro e Morumbi e na área junto aos 'Eixos de Transportes' de massa em toda a cidade. A verticalização desenfreada, os 'ataques' populistas às ZEPAM-Zona Especial de Proteção Ambiental, o desmatamento de centenas de árvores adultas, a invasão em ZER-Zona Estritamente Residencial e áreas preservadas, e a liberação para atividades comerciais nos bairros dos Jardins, são alguns pontos críticos. As centenas de 'arranha-céus' sendo construídos ao mesmo tempo, estão causando a desestruturação dos bairros, com caos no trânsito e mostrando que os serviços da Sabesp e Enel, estão deficientes e sem condições de atender a grande demanda, prejudicando a todos os moradores coletivamente. Segundo o urbanista Ivan Maglio, “os conflitos deverão se concentrar na discussão da liberação para mais verticalização no miolo dos bairros, sob o argumento falacioso do mercado imobiliário que essa medida traria mais ofertas de imóveis, para a classe média e trabalhadores. A proposta atende mais uma vez as pressões do mercado imobiliário, mas, desmascara e reforça que se essas moradias sociais já não ocorrem junto aos eixos, onde há maior oferta de oportunidades de moradias, tampouco acontecerá no miolo dos bairros” . Ele reafirma que “em contrapartida a esses excessos de verticalização sem contrapartidas e critérios ambientais, teremos uma cidade vulnerável e pouco resiliente aos impactos climáticos, impermeabilizada, com mais ilhas de calor e totalmente despreparada para enfrentar a crise climática já em curso e com maiores riscos futuros”. O projeto coloca em risco, o restante das áreas verdes protegidas como ZEPAM na cidade e suas zonas exclusivamente residenciais. Garantir moradia para os trabalhadores e a classe média, depende sim de que haja de fato ofertas de moradias de interesse social e do mercado popular, junto aos eixos de transportes, conclui.
'Golpes' no Zoneamento "Os ataques ao Zoneamento virão nos parâmetros como o aumento de gabarito de altura na ZCOR e na Zona Mista, além de manter as 'barbaridades' na ZEU, onde foram propostas 'mudanças cosméticas' em bairros e subprefeituras, onde o estrago e os impactos negativos já são irreversíveis. Além disso há ataques nas ZEPAM e na liberação de atividades nos parques, descaso total com os mananciais, e a manutenção de políticas conflitantes com a crise climática: canalizações, piscinões e impermeabilização. É muito perigosa essa tentativa de transformar ZEPAM em ZEIS de forma genérica, porque essa é a última alternativa de preservar locais de Mata Atlântica. Se foram áreas invadidas, é por falta de fiscalização do Poder Público. Moradia e 'habitação social' continuam longe de ser prioridade como deveria", afirma ainda Ivan Maglio, engenheiro civil, consultor em meio ambiente e doutor em saúde ambiental.