Urbanização de Paraisópolis tem R$ 1,7 bilhão e prevê remoção de 3 mil moradias

Por
3 Min

A Prefeitura de São Paulo pretende promover uma ampla transformação urbana em Paraisópolis, na zona sul da capital, por meio de um projeto de urbanização estimado em R$ 1,7 bilhão. A iniciativa, que abrange também as comunidades Jardim Colombo e Porto Seguro, promete melhorias em infraestrutura, saneamento, mobilidade e serviços públicos, mas tem gerado preocupação entre moradores diante da previsão de remoção de cerca de 3 mil famílias.
O projeto prevê a abertura de até 17,8 quilômetros de ruas e vielas, ampliação de vias, instalação de iluminação pública, enterramento da rede elétrica, obras de drenagem, arborização e saneamento básico. Também estão previstas novas unidades habitacionais, equipamentos educacionais, espaços esportivos, uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e serviços de saúde mental.
Segundo a Prefeitura, o objetivo é melhorar a qualidade de vida da população de um dos maiores complexos de favelas da cidade, onde vivem aproximadamente 120 mil pessoas. Atualmente, algumas vielas possuem menos de um metro de largura, dificultando a circulação de ambulâncias, veículos de emergência e transporte público.

Apesar de reconhecerem a necessidade das obras, lideranças comunitárias cobram maior diálogo e garantias para as famílias que serão afetadas. Uma das preocupações é o histórico de remoções anteriores na região, que resultaram em moradores dependentes do auxílio-aluguel por longos períodos.
Maria Betânia Ferreira, uma das fundadoras da União dos Moradores e Comerciantes de Paraisópolis, afirma que a urbanização é necessária, mas defende mais segurança para as famílias atingidas. “Queremos melhorias, mas é preciso garantir moradia digna para quem deixar suas casas”, argumenta.
A preocupação é compartilhada pelo conselheiro de Habitação Valdemir José Trindade, conhecido como Guga Brown. Segundo ele, milhares de moradores da região já dependem atualmente do auxílio-aluguel. Para o líder comunitário, o ideal seria que as famílias fossem transferidas diretamente para as novas moradias.
A secretária municipal de Urbanismo e Licenciamento, Elisabete França, afirma que a prioridade da Prefeitura é reassentar os moradores dentro do próprio complexo habitacional. Segundo ela, novas unidades serão construídas para receber as famílias removidas. A gestão admite, porém, que alguns moradores poderão precisar recorrer temporariamente ao auxílio-aluguel, especialmente aqueles que vivem em áreas de risco.
Outro ponto de debate é a ampliação das vias para permitir a circulação do transporte público dentro da comunidade. Enquanto parte dos moradores vê a medida como um avanço para a mobilidade, outros temem aumento do trânsito e novas remoções. O tema segue em discussão durante a consulta pública aberta pela Prefeitura.


Notícias Relacionadas »