De acordo com especialistas, os supostos piscinões que devem ser construídos no Morumbi, deveriam ser a última alternativa contra enchentes e alagamentos. Inclusive, pelo alto valor necessário para a sua construção. Sem contar, ainda a necessidade de manutenção e limpeza permanentes. Mas o que a comunidade pergunta é por que o São Paulo F.C. não defende a praça Roberto Gomes Pedrosa, na frente do seu estádio, que terá o corte de todas as árvores cinquentenárias e que já estão com autorização dos órgãos públicos?
Diretoria do São Paulo “desconhece” ou faz “vista grossa”? “A população da região está perguntando se o São Paulo F.C. está concordando com o corte de dezenas de árvores e a destruição e solapamento da Praça Roberto Gomes Pedrosa (com árvores adultas) e outras na frente de seu estádio, para a construção já autorizada de um novo “piscinão”, licenciado pela Cetesb e Secr. do Meio Ambiente ?” W.L.
“Será que o anunciado acordo financeiro do São Paulo F.C. e o Governo do Estado, para bancar a obra de canalização do Córrego Antonico, que passa sob o gramado do Morumbi, com custo de $400 milhões de reais, está influenciando a diretoria do tricolor? Já houve o fato do crime ambiental da Sabesp, que ‘montou’ uma verdadeira ‘Usina de Esgoto’ na frente do estádio e cortou o bosque de 230 árvores frondosas. O Tribunal de Justiça julgou e condenou a Sabesp, a pedido do Ministério Público do Meio Ambiente, mas o São Paulo, mesmo avisado, nunca protestou.” A.M. Questionado sobre o tema, o São Paulo F.C. não retornou até o fechamento desta edição.
Prefeitura confirma obras dos “piscinões” Não se importando em ouvir a comunidade, engenheiros, ambientalistas e entidades da região, a gestão municipal optou por construir o piscinão na Praça Roberto Gomes Pedrosa “...por ser uma área pública e por comportar um reservatório com volume suficiente para mitigar as enchentes da região.
Corte de todas as árvores “Para a intervenção, será necessária a supressão dos exemplares arbóreos situados ao longo do córrego e nas Praças Gomes Pedrosa e Alfredo Gomes, que terão sua devida compensação ambiental, conforme legislação vigente. Esta suposta ‘compensação’ é uma verdadeira ‘balela’, pois só atende o Governo para o próprio Governo, com “plantio”, sem nenhuma fiscalização de mudas primárias em regiões fora da capital. Em épocas de mudanças climáticas e muita poluição, a falta de árvores formadas, constitui-se um verdadeiro crime ambiental dos órgãos públicos, que a exemplo da Sabesp cortou criminosamente mais de 200 árvores vizinhas ao local e foi condenada pelo TJ. “O que adianta ser ‘condenada’, depois da supressão irregular de áreas verdes?”
Área toda será cimentada A Secretaria Municipal da Infraestrutura Urbana e Obras (Siurb) informa “...que o reservatório localizado no terreno entre as ruas Corgie Assad Abdala, João da Cruz Melão e Av. Giovanni Gronchi, na Praça Roberto Gomes Pedrosa, será fechado, o que permitirá o ‘reaproveitamento’ da área após o término das obras...”. Sem nenhuma “Audiência Pública” com a comunidade, CADES-Conselho Regional de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Cultura de Paz do Butantã, Rede Ambiental, Sociedade Amigos do Morumbi e entidades ambientalistas da região, o poder público “passa por cima” e pretende destruir mais uma área verde, a exemplo da Sabesp.
Decisão arbitrária e autoritária Lembrando da frase “Faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço...” o poder público informa que “...não é possível mudar o local do reservatório. Os projetos ‘já estão concluídos’ e, a área escolhida, é a única na região que comportaria o volume necessário para a mitigação das enchentes”, finalizam. Sem estudo claro, detalhado e divulgação ampla para a comunidade, o poder de cima vai canibalizar dezenas de espécies raras de árvores adultas.