Várias associações de moradores têm participado de reuniões com órgãos públicos, para debater o aumento de ruídos gerados por aviões, que usam Congonhas. Eles começaram mais intensos antes de 2016, com as mudanças de direção de aterrisagens e decolagens, com uso alternado das pistas, conforme a ação dos ventos. Os voos começaram a sobrevoar mais baixo e ligar as turbinas maiores e barulhentas, sobre os populosos bairros de Pinheiros, Morumbi, Santo Amaro, Butanta, Moema, Brooklin e outros, além de municípios vizinhos. Tanto a Anac, como a Infraero e o corpo diretivo do aeroporto, não souberam explicar as mudanças, já que antes as decolagens eram sobre a Serra do Mar. Só alegaram “ajustes com exemplos internacionais, para economia de combustível…” e os prejuízos continuaram sendo causados para a população. Veio a pandemia e foi um “descanso” dos ruídos emitidos. Agora, voltam os mesmos problemas e as mesmas reclamações de milhões de moradores das zonas oeste e sul da capital.
Contatos Agora entidades e associações estão conseguindo um marco na relação, entre os gestores do setor, a AENA, a empresa espanhola que arrematou a concessão de Congonhas, e a população afetada. A SAAP- Associação dos Moradores do Alto de Pinheiros, ensina como proceder nestas situações. A recomendação da SAAP em seu site, é que reclame em duas frentes: na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e na Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária).
Reclamar na Anac A Anac é o órgão responsável pelas regulamentações e regras da aviação brasileira. “Nossa avaliação é de que o ruído aeronáutico se enquadra nesse campo – afinal, estamos falando de horários, altura de voo, rotas, incômodos causados aos moradores. Ela dispõe de uma página de contatos. Nenhuma delas é específica para barulho de aviões, mas há opções de contato via WhatsApp, telefone (163), via chat ou via Internet – neste caso, para reclamações será preciso fazer login e, depois, escolher o órgão destinatário (Anac), assunto (Aeronáutica) e, no espaço disponível, descrever o problema”, explica a SAAP.
Reclamar na Infraero “A Infraero é responsável pela infraestrutura dos aeroportos brasileiros – algo apenas indiretamente relacionado ao zunido das aeronaves. Mas ela dispõe de uma página específica para queixas sobre barulho de aviões. Trata-se de um formulário fácil de preencher – será necessário informar o horário do incômodo e o endereço, além de descrever qual foi o problema”.
As reclamações resolvem? “No curto prazo, provavelmente não – a não ser, talvez, se houver algo fora do padrão ou se o voo estiver fora do horário de funcionamento do aeroporto de Congonhas (das 6h às 23h). Mas no médio e longo prazo elas são fundamentais: o volume de queixas é importante para as autoridades avaliarem o grau de incômodo a que os moradores estão expostos e para dar força ao trabalho das associações de moradores em outras frentes”, conclui a SAAP.