Concreto sufoca árvores nas zonas oeste e sul e população é chamada a reagir na arborização urbana

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A presença de árvores na malha urbana de São Paulo, inclusive com dezenas de espécies em Pinheiros, Butantã, Itaim e Morumbi é amplamente reconhecida como essencial para o equilíbrio ambiental das cidades. Segundo diretrizes técnicas da própria administração municipal, a arborização urbana contribui para a redução da temperatura, melhoria da qualidade do ar, drenagem da água da chuva e até a mitigação de enchentes, além de oferecer sombra e bem-estar à população.
Bases cimentadas
Ainda assim, uma cena cada vez mais comum nas ruas da capital, principalmente na áreas das zonas oeste e sul,  expõe o lado oposto dessa política: árvores com suas bases completamente cimentadas, sem solo exposto e sem espaço para o desenvolvimento das raízes. O resultado é visível e preocupante — troncos estrangulados, raízes que levantam calçadas ou, no extremo oposto, árvores enfraquecidas e condenadas ao declínio precoce.

“Requadros de árvore”
Para enfrentar o problema, a Prefeitura passou a incentivar a solicitação de “requadros de árvore” por meio do Portal 156, permitindo que moradores peçam a abertura do solo ao redor das árvores, restaurando a área de absorção de água e permitindo o crescimento saudável das espécies. A demanda também pode ser feita presencialmente em unidades de atendimento municipais.
Especialistas em arborização urbana são unânimes em apontar que o isolamento do solo por concreto compromete gravemente a sobrevivência das árvores. Guias técnicos de arborização urbana destacam que o desenvolvimento adequado depende de espaço livre para raízes, infiltração de água e troca de gases no solo — condições inviabilizadas pelo cimentamento completo das bases.
“Encaixotadas”
Apesar disso, o cenário nas ruas revela um histórico de negligência. Em diversas regiões da cidade, árvores são “encaixotadas” em pequenas aberturas ou totalmente seladas por concreto e asfalto, prática que especialistas e urbanistas criticam como incompatível com qualquer política séria de sustentabilidade urbana.
Nas redes e em relatos de moradores e ciclistas urbanos, a percepção é de abandono: calçadas impermeabilizadas, falta de manutenção e intervenções mal planejadas que ignoram o ciclo de vida das árvores. O resultado é um ciclo de deterioração que, segundo ambientalistas, transforma o que deveria ser infraestrutura verde em mais um elemento de degradação urbana.
Para especialistas, o problema não é apenas estético ou pontual: trata-se de uma escolha urbana que impacta diretamente o clima da cidade, a saúde pública e a qualidade de vida. O “requadro”, nesse contexto, deixa de ser um detalhe técnico e passa a ser um ato mínimo de reparação ambiental — e, ao mesmo tempo, um alerta sobre o quanto ainda se falha no cuidado com o verde urbano.


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