Continua o abaixo-assinado contra a mudança no zoneamento da Marginal Pinheiros
Uma alteração recente no zoneamento urbano ao longo da Avenida Ruth Cardoso, na altura do Alto dos Pinheiros, tem gerado forte preocupação e realização de abaixo-assinado da SAAP, com centenas de assinaturas entre moradores e entidades locais. A mudança permite a construção de edifícios de até 48 metros de altura em trechos antes limitados a construções de até 10 metros, alterando significativamente o perfil urbanístico da região.
Zona de Centralidade
A revisão foi aprovada no final de 2023 pela Câmara Municipal de São Paulo. O trecho afetado compreende a área entre as avenidas Professor Frederico Hermann Jr. e Arruda Botelho, que deixou de ser classificada como Zona Corredor — com restrições de gabarito — para se tornar uma Zona de Centralidade, permitindo maior verticalização.
SAAP e o planejamento urbano
Segundo a Sociedade Amigos de Alto dos Pinheiros (SAAP), a medida rompe com princípios básicos do planejamento urbano, especialmente o de transição gradual entre diferentes tipos de ocupação. Na prática, isso significa que prédios altos poderão ser construídos lado a lado com residências unifamiliares, alterando de forma abrupta a paisagem local.
Atividades incompatíveis com o bairro
Os impactos, segundo moradores, vão além das propriedades diretamente vizinhas aos futuros empreendimentos. Há preocupação com o aumento do trânsito em ruas que não foram projetadas para alto fluxo de veículos, além da possível chegada de atividades comerciais incompatíveis com o perfil predominantemente residencial do bairro.
Questões ambientais também estão no centro do debate
Especialistas alertam para o aumento da impermeabilização do solo, o que pode agravar riscos de alagamentos em uma área próxima ao Rio Pinheiros. Além disso, a verticalização pode afetar a incidência de luz solar, a ventilação e o equilíbrio de áreas verdes consolidadas ao longo de décadas.
Outro ponto sensível é a sobrecarga da infraestrutura urbana
Redes de esgoto, drenagem e energia, bem como vias e calçadas, podem não suportar o adensamento acelerado. Moradores também relatam preocupação com a perda de privacidade e o aumento de ruídos durante e após as obras.
Apesar das críticas, entidades afirmam não serem contrárias ao desenvolvimento urbano, mas defendem que ele ocorra de forma planejada e equilibrada. Para os moradores, a mudança abre um precedente preocupante para outras áreas da cidade e coloca em risco a qualidade de vida que historicamente caracteriza o bairro.