Faria Lima perde fôlego com aluguéis elevados, enquanto Pinheiros e Chucri ganham espaço

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A região da Avenida Faria Lima, tradicional símbolo do mercado corporativo de alto padrão, começa a dar sinais de esgotamento em 2026. Dados recentes do setor imobiliário mostram que, pressionada pela escassez de espaço e pelos altos preços de locação, a região registrou retração na absorção de escritórios — movimento que contrasta com o avanço de novos polos como Pinheiros e a Avenida Chucri Zaidan.
Segundo levantamento da consultoria Newmark, a Faria Lima foi a única entre as principais áreas corporativas da cidade a apresentar absorção líquida negativa no primeiro trimestre de 2026. No período, o volume de devoluções superou as novas locações em cerca de 5 mil metros quadrados, marcando o segundo trimestre consecutivo de retração.
O principal fator por trás desse desempenho é a combinação entre baixa disponibilidade de grandes espaços e valores considerados proibitivos por parte das empresas. O preço médio pedido na região chegou a R$ 311 por metro quadrado — mais que o dobro da média da cidade, estimada em R$ 121. Esse cenário tem levado companhias a buscar alternativas fora do eixo mais tradicional.

Nesse contexto, Pinheiros e a região da Chucri Zaidan despontam como novos vetores de crescimento. Nos 12 meses encerrados no primeiro trimestre, os dois locais registraram as maiores absorções líquidas de escritórios de alto padrão da capital, com 80,2 mil m² e 50,7 mil m², respectivamente.
A Chucri Zaidan, no entanto, ainda enfrenta desafios. Apesar do avanço na ocupação, a região concentra o maior estoque de edifícios corporativos da cidade, o que mantém a taxa de vacância elevada, em torno de 14,3%. Isso também impacta os preços, que permanecem abaixo da média de áreas mais consolidadas.
Já Pinheiros apresenta um cenário mais equilibrado, com menor vacância e valorização consistente dos aluguéis, consolidando-se como alternativa viável para empresas que buscam localização estratégica com custos mais moderados.
No panorama geral, o mercado de escritórios em São Paulo segue em expansão, embora em ritmo mais moderado. A expectativa é de continuidade na absorção de espaços, mas com maior cautela diante do cenário econômico e da limitação de novos empreendimentos.
A mudança de dinâmica indica uma reconfiguração do mapa corporativo da cidade, com a hegemonia da Faria Lima sendo gradualmente desafiada por novos polos que combinam custo, disponibilidade e modernização.


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