Monotrilho da Linha 17-Ouro estreia com “balanço lateral” e levanta dúvidas sobre conforto

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O monotrilho da Linha 17–Ouro, ainda em fase de operação assistida na Zona Sul de São Paulo, já começa a chamar atenção dos primeiros usuários por uma característica peculiar: o movimento lateral das composições. Embora menos perceptível que os solavancos verticais da Linha 15–Prata, o “balanço” do novo sistema levanta questionamentos sobre conforto e desempenho quando a linha entrar em operação plena.
Relatos de passageiros indicam que, neste momento inicial, o trem da Linha 17-Ouro apresenta um deslocamento mais suave do que o observado na Linha 15-Prata, conhecida pelo efeito de “galope” em determinados trechos. No entanto, especialistas e operadores apontam que essa percepção pode mudar com o aumento da velocidade operacional, previsto para ocorrer quando o serviço comercial for ampliado.
De acordo com o diretor de engenharia e planejamento do Metrô de São Paulo, Roberto Torres, a diferença no comportamento dos trens está diretamente relacionada ao sistema de suspensão. Enquanto a Linha 15-Prata utiliza molas mais rígidas na suspensão secundária — o que resulta em oscilações verticais mais acentuadas —, a Linha 17-Ouro adota bolsas de ar, que tornam a estrutura mais flexível.

Esse tipo de tecnologia permite maior adaptação ao peso das composições, mas também favorece movimentos horizontais. “A caixa do trem se torna mais maleável, e isso pode gerar essa sensação lateral”, explica Torres. Segundo ele, o comportamento pode variar ao longo do trajeto, dependendo das condições da via e da carga de passageiros.
Outro ponto que tem chamado a atenção é o trecho entre o Aeroporto de Congonhas e a estação Brooklin Paulista, que inclui uma rampa com curva acentuada. O desenho da via pode intensificar a sensação de inclinação, especialmente para passageiros com bagagens.
Especialistas em mobilidade destacam que oscilações são características inerentes a sistemas de monotrilho, mas ressaltam a importância de ajustes finos para garantir conforto e segurança. Com a expansão da Linha 17-Ouro, a expectativa é que o desempenho operacional seja aprimorado, reduzindo impactos na experiência dos usuários.
Enquanto isso, a fase atual serve como teste não apenas para a tecnologia, mas também para a percepção do público — que, em uma cidade dependente do transporte coletivo, tende a ser cada vez mais exigente com qualidade e estabilidade dos sistemas.


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