Entidades recorrem ao STF para manter suspensão de mudanças no zoneamento

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Um conjunto de mais de 110 entidades da sociedade civil ingressou no Supremo Tribunal Federal como ‘amicus curia’e na ação que questiona a revisão da Lei de Zoneamento, aprovada em 2024. O objetivo é reforçar a manutenção da liminar que suspendeu parcialmente os efeitos da nova legislação, apontada como problemática sob aspectos legais, urbanísticos e ambientais.
MP contesta revisão
A ação, originada a partir de iniciativa do Ministério Público, contesta trechos da revisão, especialmente a ampliação das chamadas Zonas de Estruturação Urbana (ZEU). Segundo as entidades, o processo legislativo apresentou falhas graves, como tramitação acelerada, falta de transparência e ausência de participação social efetiva. Em alguns casos, mudanças estruturais teriam sido aprovadas em poucos dias, sem debate técnico consistente.

Planejamento urbano integrado
Além das críticas ao processo, a petição destaca a ausência de planejamento urbano integrado e de avaliação ambiental estratégica. De acordo com o documento, a nova lei abre margem para intervenções em áreas sensíveis, como Áreas de Preservação Permanente, regiões com risco geotécnico, remanescentes de Mata Atlântica e bairros tombados.
Um parecer técnico elaborado pelo especialista Ivan Maglio aponta que a revisão ampliou significativamente o potencial construtivo da cidade. Entre 2016 e 2024, a área de ZEU teria crescido cerca de 17,6%, o que pode resultar em até 45 milhões de metros quadrados adicionais de construção — sem a devida comprovação de capacidade da infraestrutura urbana para suportar esse crescimento.
O estudo também indica desigualdade territorial na expansão, com subprefeituras como Aricanduva–Formosa–Carrão registrando aumentos superiores a 1.900% nas áreas classificadas como ZEU. Outras regiões, como Mooca, Pinheiros e Vila Mariana, também apresentaram crescimento relevante.
Impermeabilização
Entre os riscos apontados estão o aumento da impermeabilização do solo, sobrecarga dos sistemas de drenagem e saneamento, intensificação de ilhas de calor e descaracterização de bairros. As entidades ainda alertam para possíveis distorções no uso de instrumentos de habitação social, que poderiam ser direcionados a empreendimentos de alto padrão.
Para os signatários, a liminar em vigor é essencial para evitar danos irreversíveis enquanto o mérito da ação é analisado. O grupo defende que o debate não deve impedir o desenvolvimento urbano, mas garantir que ele ocorra com planejamento técnico, transparência e respeito à função social da cidade.


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