Reclamações contra a Sabesp quase triplicam e expõem falhas no abastecimento
O número de reclamações sobre os serviços da Sabesp quase triplicou nos últimos dois anos, além do aumento abusivo nas contas, evidenciando a insatisfação crescente dos consumidores com problemas recorrentes, como falta de água e inconsistências nas contas.
Queixas aumentaram 162%
Dados da Arsesp apontam que as queixas passaram de cerca de 3,7 mil em 2023 para quase 10 mil em 2024 — um aumento de 162%. As reclamações abrangem usuários de toda a região metropolitana e, segundo a agência, só são formalizadas após tentativa prévia de resolução diretamente com a concessionária.
Privatização
O cenário ocorre em meio à privatização da companhia, concluída em 2024 pelo governador Tarcísio de Freitas. A operação transferiu o controle da maior empresa de saneamento do país, responsável por atender cerca de 28 milhões de pessoas.
Condomínios sem água
Na prática, os impactos das falhas no serviço têm sido sentidos diretamente pela população. Um exemplo recente ocorreu no bairro Horto do Ypê, na região do Campo Limpo, onde moradores de um condomínio com cerca de 180 apartamentos ficaram mais de 80 horas sem abastecimento de água. “Sem água nas torneiras, a solução foi recorrer à água mineral para consumo e armazenar pequenas quantidades para uso básico. O custo emergencial já ultrapassava R$ 11,5 mil — mais que o dobro da média mensal da conta de água do residencial”. Bairros do Butantã e principalmente de Santo Amaro também não conseguem abastecimento regular e as reclamações neste bairro aumentou em mais de 200%, sem atendimento ou atenção da Cia. de Saneamento Básico. “Aumento nas contas, abandono das reivindicações e total descaso com a população. Só pensam em faturar e nada de assumir a responsabilidade...”, afirmam os moradores.
Conjunto
residencial da USP
Casos semelhantes têm sido relatados em outras regiões, como no Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp), na Zona Oeste da capital, onde estudantes também denunciaram falta de água.
A Arsesp informou que intensificou a fiscalização após a desestatização, com centenas de inspeções realizadas e multas que já ultrapassam R$ 200 milhões.
Rompimento de tubulação deixa USP sem água por até três dias na zona oeste de São Paulo
Um problema no abastecimento de água afetou parte do campus da Universidade de São Paulo, na Cidade Universitária, zona oeste da São Paulo, ao longo do último fim de semana. O rompimento de uma tubulação da Sabesp deixou institutos, equipamentos universitários e a moradia estudantil sem água por até três dias.
De acordo com a Prefeitura do Campus da Capital (PUSP-C), a falha ocorreu em uma rede que abastece o eixo das avenidas Universidade e Professor Luciano Gualberto, áreas centrais da Cidade Universitária. O problema teria começado na sexta-feira (13), mas moradores do Conjunto Residencial da USP (Crusp) relatam que a interrupção no fornecimento já era sentida desde a quinta-feira (12).