Crescimento acelerado do Butantã expõe déficit de mamografia e mobiliza Conselho Participativo
O acelerado crescimento populacional da região do Butantã, tem evidenciado um gargalo crítico na oferta de serviços públicos de saúde: a inexistência de um mamógrafo em funcionamento para atender a população local. Diante desse cenário, o Conselho Participativo Municipal (CPM) discute a destinação de recursos do Orçamento Cidadão para a aquisição de um equipamento para o Hospital Municipal Dr. Mário Degni, no distrito do Rio Pequeno.
580 mil habitantes
A região, que engloba bairros como Vila Sônia, Rio Pequeno e o eixo da Raposo Tavares, registra uma taxa de verticalização estimada em 7,3% ao ano. Segundo projeções baseadas no Censo 2022 e em dados da Fundação Seade, a população local pode ter saltado de cerca de 468 mil habitantes, em 2022, para quase 580 mil em 2026. Dentro desse contingente, mais de 122 mil mulheres têm mais de 40 anos — faixa etária prioritária para o rastreamento do câncer de mama.
Espera e longas filas
Atualmente, mulheres da região dependem de outras áreas da cidade para realizar exames pelo SUS, enfrentando longas filas de espera. De acordo com parâmetros do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS), recomenda-se ao menos um mamógrafo para cada 240 mil habitantes. Especialistas apontam que, considerando o crescimento recente de cerca de 30% na demanda entre 2020 e 2024, um único equipamento já seria insuficiente para atender plenamente a região.
Mamógrafo a R$ 800 mil
A proposta em debate prevê a destinação de aproximadamente R$ 800 mil do Orçamento Cidadão para a compra de um mamógrafo, valor considerado limitado para a aquisição de um equipamento digital mais moderno. Por isso, o CPM articula parcerias, como com o Rotary Club do Butantã, para complementar os recursos e viabilizar a compra de um aparelho de maior capacidade tecnológica.
95% de chances de cura
O Hospital Municipal Dr. Mário Degni é apontado como local prioritário por já dispor de infraestrutura hospitalar adequada, suporte de engenharia clínica e condições técnicas exigidas pela Anvisa para a instalação de equipamentos de radiologia. A iniciativa busca reduzir filas, ampliar o diagnóstico precoce — que pode elevar em até 95% as chances de cura — e adequar a rede pública de saúde ao ritmo de crescimento do território.