‘Floresta de Bolso’: técnica paulistana de restauração ecológica inspira modelo de sustentabilidade urbana
Criada pelo botânico Ricardo Cardim, a ‘Floresta de Bolso’ é uma técnica inovadora de restauração ecológica da Mata Atlântica, que vem transformando pequenos espaços urbanos em refúgios de biodiversidade. Inspirado na dinâmica natural das florestas tropicais jovens, o método propõe o plantio adensado de espécies nativas regionais, respeitando o equilíbrio entre competição e cooperação das plantas — um processo que acelera o crescimento e reduz a necessidade de manutenção.
10 florestas
Com mais de 10 florestas implantadas em São Paulo desde 2013, o projeto já apresentou resultados impressionantes. Áreas que antes eram terrenos áridos ou poluídos alcançaram dosséis de até seis metros de altura em apenas três anos, sem irrigação constante e com resistência comprovada a longos períodos de estiagem e às ilhas de calor típicas da capital.
Pinheiros
A ‘Floresta de Bolso’ dentro do Largo da Batata, em Pinheiros, por exemplo, instalada em uma área pública de 600 m², é hoje um marco de regeneração urbana visível até pelo ‘Google Earth’. Outras áreas beneficiadas incluem o Parque Cândido Portinari, o Parque do Belém, a Ponte Cidade Jardim e o Parque da Juventude, além de trechos das marginais Pinheiros e Tietê.
Equilíbrio ecológico
As florestas são formadas, em média, por 400 a 700 mudas de 60 espécies diferentes, incluindo árvores frutíferas que atraem polinizadores e aves, ajudando a restaurar o equilíbrio ecológico. Além dos benefícios ambientais, o modelo gera redução da temperatura local, aumento da umidade do ar, retenção da água da chuva e sequestro de carbono, contribuindo para o combate às mudanças climáticas.
500 voluntários
Grande parte das iniciativas é feita em mutirões voluntários com apoio da população, empresas e poder público. As ações, gratuitas e educativas, já reuniram mais de 500 voluntários em um único dia, reforçando o papel da sociedade na regeneração da natureza.
Política pública
Cardim defende que, se adotada como política pública, a iniciativa poderia tornar as cidades brasileiras mais resilientes, saudáveis e conectadas com sua biodiversidade nativa. A marca ‘Floresta de Bolso’ é registrada no Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI) e hoje representa um dos mais bem-sucedidos modelos de reflorestamento urbano do país.