Número de falhas na rede de água e esgoto em São Paulo atinge maior nível desde 2021: Sabesp reprovada
O número de falhas na rede de água e esgoto da cidade de São Paulo atingiu níveis inéditos nos últimos meses, segundo levantamento obtido pela TV Globo junto à Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) via Lei de Acesso à Informação. Entre os problemas estão vazamentos de água, falhas em bombas que podem deixar imóveis sem abastecimento e apagões em estações de tratamento.
Os dados mostram que, enquanto em 2024 foram registradas apenas 7 ocorrências, até julho de 2025 já foram contabilizadas 52 falhas. A série histórica aponta: 2021: 43 falhas; 2022: 33 falhas; 2023: 20 falhas; 2024: 7 falhas; Julho de 2025: 52 falhas
Segundo o professor de infraestrutura urbana do Mackenzie, Antonio Eduardo Giansante, a alta recorrência evidencia a necessidade de manutenção preventiva e preditiva, não apenas corretiva, para evitar falhas e riscos à população.
A Zona Norte é a mais afetada, seguida pela Zona Sul e Zona Leste. Procurada, a Sabesp afirmou que cerca de 30% das ocorrências têm origem em fatores externos, como falta de energia, furtos e vandalismo, e que está investindo na substituição de tubulações, modernização de equipamentos e ampliação do monitoramento do sistema.
Especialistas e sindicatos, entretanto, alertam para problemas estruturais e administrativos. Entre 2023 e 2025, mais de 5.700 trabalhadores deixaram a Sabesp, provocando perda de conhecimento técnico e sobrecarga das equipes restantes. Segundo o sindicato Sintaema, a priorização do lucro após a privatização da companhia compromete a qualidade do serviço, refletindo em vazamentos, crateras e falhas operacionais em ruas da cidade.
Entre 2021 e 2025, o número de reclamações sobre o serviço permaneceu alto, com cerca de 1,1 milhão de registros apenas em 2021, metade relacionados a tarifas abusivas e mais de um terço a interrupções no abastecimento.
O Sintaema reforça que o saneamento é um direito fundamental e alerta que a atual gestão da Sabesp foca mais em resultados financeiros do que na segurança e confiabilidade do fornecimento de água e tratamento de esgoto.
A preocupação é que, sem recomposição de equipes e manutenção adequada, a tendência é que os problemas continuem se acumulando, elevando riscos para toda a população da capital.