A Linha 20-Rosa do Metrô é anunciada como uma das maiores obras de mobilidade de São Paulo. Com 32,6 km, 24 estações e custo estimado em R$ 33,5 bilhões, deve ligar a Lapa ao ABC e transportar 1,29 milhão de passageiros por dia em 2040. A grandiosidade impressiona, mas o projeto acumula contradições que expõem dilemas urbanísticos, ambientais e jurídicos.
O traçado em arco Leste–Oeste, que cruza o ABC, não atende o centro de São Bernardo do Campo, a maior cidade da região e uma das que mais necessita de transporte de massa. Estudos apontam que um eixo Norte–Sul seria mais eficaz, mas a decisão parece ter favorecido interesses imobiliários. O mesmo ocorre na Faria Lima: das três estações previstas, sobraram apenas duas, além de uma nova próxima ao Cemitério São Paulo. A redução da cobertura em um dos maiores polos de emprego da América do Sul gerou críticas e mobilização popular.
Na Vila Madalena, o metrô pode acelerar a gentrificação, provocando verticalização, expulsão de moradores de renda média e baixa e descaracterização cultural de um dos bairros mais emblemáticos da cidade. Outro ponto polêmico é a futura Estação Girassol: discute-se vincular a Licença Prévia ambiental da CETESB à criação automática de uma ZEU (Zona de Estruturação da Transformação Urbana) por decreto municipal. Especialistas alertam que essa prática subverte o processo democrático de revisão urbanística previsto no Estatuto da Cidade, favorecendo a especulação.