Vitória da Justiça comemoram moradores: Quadrilátero Vilas do Sol volta a respirar

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Uma decisão judicial proferida em 28 de agosto de 2025, restabeleceu o tombamento da área retirada pelo ‘Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de SP’ do perímetro original do Quadrilátero Vilas do Sol, implicando novamente na proteção que havia sido revogada. A reversão inclui os lotes anteriormente excluídos — entre eles, os nove declarados de propriedade da ‘Construtora Zabo’ junto ao CONPRESP — cuja liberação colocava em risco os valores patrimoniais, ambientais, arquitetônicos e sociológicos existentes no conjunto urbano.
Verticalização em Pinheiros
Esse quadrilátero, símbolo raro de ocupação horizontal em meio à crescente verticalização em Pinheiros, mantém baixa volumetria, paisagens, ambiência e, sobretudo, o espírito de vizinhança e cidadania — valores afetivos estimados pela comunidade local. “Com essa decisão reafirma-se o valor patrimonial da Vilas do Sol, destacando suas características urbanísticas, arquitetônicas, históricas, culturais e ambientais com grande importância para a cidade de São Paulo, e sua proteção integral da área, onde o empreendimento da ‘Zabo’, com 85 metros de altura, representa uma ameaça ao patrimônio cultural e ambiental das Vilas do Sol, destacando-se os impactos de vizinhança que causariam na drenagem, no aumento do sombreamento, os riscos de subsidência e rachaduras, e a perda da integridade do patrimônio urbanístico, e compromete a qualidade de vida dos moradores, sobrecarrega a infraestrutura local e descaracteriza a paisagem urbana. A área da Vilas do Sol é composta por residências horizontais em estilo de casas e sobrados,  construídos em lotes pequenos sem reforços de fundação implantadas a partir das décadas de 1930 e 1950, conforme os dados do IPTU municipal”, explica o engenheiro Ivan Maglio.

Embate técnico e institucional
A decisão judicial também acende os holofotes sobre o procedimento adotado pelo CONPRESP, que, ao excluir lotes do perímetro tombado, considerou exclusivamente o laudo da própria ZABO — sem solicitar estudos técnicos aprofundados do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH).   A atuação unilateral suscita críticas por falta de isenção e de participação técnica especializada e independente.
Luta da comunidade e da ‘’Pró Pinheiros
Essa ausência de análise sólida pelo DPH foi duramente questionada por moradores, coletivos como o movimento ‘Pró-Pinheiros’. Para estes, a decisão ignorou a integridade do conjunto urbano e desconsiderou o processo democrático de escuta ativa com a comunidade.
Alteração de zoneamento
A Câmara Municipal de São Paulo, por meio das Leis nº 18.081 (19 de janeiro de 2024) e 18.177 (25 de julho de 2024), alterou o zoneamento da Vilas do Sol — retirando a classificação como Zona de Estruturação Urbana de alta densidade e passando a considerar toda a área como Zona Predominantemente Residencial. Esse reconhecimento reforça a relevância histórica da região, conforme mostra a análise de manchas urbanas como Paschoal Del Gaizo em mapas da década de 1930 e 1940.
Recuperação da área
“A preservação das características urbanas e ambientais ajudará a manter o microclima e os riscos de criação de ilhas de calor nessa área de Pinheiros e traz maior resiliência a inundações na bacia do Rio Verde canalizado que atravessa a área, e que mesmo assim precisará recuperar em muito a permeabilidade perdida, com a criação de jardins de chuva e ampliando as áreas permeáveis no interior do quadrilátero”, conclui Ivan Maglio.
Audiência Pública pela Comissão de Política Urbana e Ambiental
Além disso, em 13 de maio de 2025, a Câmara promoveu uma Audiência Pública para debater as questões de exclusão de imóveis do processo de tombamento e o papel dos órgãos de preservação, enfatizando que essa decisão foi tomada sem o estudo técnico do DPH, o que levantou questionamentos sobre transparência e participação social.
Tombamento
Desde 2023, o CONPRESP já havia iniciado um estudo preliminar de tombamento para as Vilas do Sol, reconhecendo seu valor patrimonial, arquitetônico e ambiental e defendendo diferentes graus de proteção — com a intenção de preservar elementos significativos sem “congelar” o território.
Gazeta de Pinheiros e Folha de SP destacaram
Em dezembro de 2024, reportagens da Gazeta de Pinheiros e da ‘Folha de S. Paulo’ destacaram o caráter único das ruas estreitas e escondidas no quadrilátero— um dos poucos resquícios de sobrados e edificações baixas preservadas na região.


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