Escândalos e irregularidades marcam ampliação do Instituto Butantan com milhares de árvores cortadas

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A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, com ampla maioria, a mudança de zoneamento que autoriza a ampliação do parque fabril do Instituto Butantan, na zona oeste da capital. A decisão, que abre caminho para investimentos bilionários e a verticalização das fábricas de vacinas, é tratada pelo Executivo como “um avanço na produção de imunizantes”.
Escândalos judiciais na gestão orçamentária
No entanto, a aprovação ignora o histórico de escândalos judiciais, ambientais e administrativos que envolvem a Fundação Butantan, entidade privada que atua em apoio ao instituto, e que hoje concentra a maior parte da sua gestão orçamentária.

Contratos sem licitação de $161 milhões
Relatórios do Tribunal de Contas do Estado (TCE) já apontaram graves irregularidades na fundação: contratos sem licitação que somam R$ 161 milhões com a SAP Brasil, suspeitas de superfaturamento, além de altos salários que superam em muito o teto do funcionalismo estadual. Casos emblemáticos como o da diretora Cíntia Retz Lucci, cujo salário saltou de R$ 7 mil em 2017 para quase R$ 80 mil em 2022, expõem a falta de controle público. Para agravar, sua irmã também foi contratada, levantando suspeitas de favorecimento.
Renúncia e escândalos
A polêmica levou inclusive à renúncia de Dimas Covas ao cargo de diretor do instituto, em 2022, após pressões do governo estadual. Covas, entretanto, permaneceu à frente da fundação, entidade que se expandiu de forma desproporcional em relação ao próprio instituto público: são hoje quase três mil empregados na fundação contra menos de 500 servidores no instituto.
Obras ilegais
O histórico de conflitos não se restringe à esfera administrativa. Ambientalistas e moradores da região denunciam que, sob a gestão de Carlos Augusto Mattei Faggin — ex-presidente da Fundação Butantan e também do Condephaat — foram promovidas obras ilegais, incluindo a derrubada de mais de duas mil árvores e a elaboração de um Plano Diretor que prevê empreendimentos turísticos dentro de área tombada. Faggin, vale lembrar, foi condenado por improbidade administrativa em outro processo, envolvendo o destombamento do Casarão Saraceni em Guarulhos.
“Terra arrasada”
As promessas de mitigação ambiental — como o plantio de 9 mil árvores para compensar a derrubada de 1,5 mil — soam frágeis diante do histórico recente. Desde 2022, áreas desmatadas dentro do Butantan permanecem abandonadas, sem qualquer recuperação efetiva, transformando o local em cenário de “terra arrasada”. Espécies da fauna local, como saguis e saruês, já têm sido vistas vagando pelas ruas vizinhas após a perda de habitat.
Justificativas inaceitáveis
Mesmo diante de tantas denúncias, vereadores exaltaram a “modernização” e a “ampliação da capacidade produtiva” como justificativa para o voto favorável. Críticas, embora registradas, foram abafadas pelo discurso oficial que confunde necessidade de vacinas com licença para irregularidades urbanísticas e ambientais.
Conflito de interesses
O caso expõe um preocupante conflito de interesses: enquanto a fundação privada administra a maior parte dos recursos oriundos da venda de vacinas ao Ministério da Saúde, a parte pública do instituto perde protagonismo. Na prática, o governo estadual, pela Secretaria de Estado da Saúde e o legislativo municipal, chancelaram um modelo que privilegia uma entidade privada marcada por denúncias, condenações e má gestão, em detrimento da transparência, do patrimônio ambiental e do interesse público.


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