Fim de desconto da Sabesp à Ceagesp cria problemas

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A disputa entre a Sabesp e a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), ligada ao governo federal, revela um impasse que vai além de uma tarifa de água. Em audiência de conciliação no último dia 6, ficou acordada a suspensão por seis meses do processo judicial que questiona o fim de um benefício tarifário vigente há mais de duas décadas.
Conta dobrada
Se mantida a decisão da Sabesp, a conta mensal da Ceagesp saltaria de R$ 1,13 milhão para R$ 2,31 milhões — um aumento de mais de R$ 1 milhão — elevando o custo do metro cúbico de água de R$ 16,43 para R$ 29,90. Esse acréscimo, alerta a Ceagesp, seria repassado aos preços de frutas, legumes e outros alimentos, encarecendo a alimentação da população e pressionando especialmente famílias de baixa renda.

Decisão unilateral
A Sabesp argumenta que o fim do desconto está previsto em contrato e que a medida busca equilíbrio econômico-financeiro e isonomia tarifária. Já a Ceagesp sustenta que a decisão foi unilateral e abusiva, aproveitando-se do monopólio da companhia no abastecimento e tratamento de água.
Liminar da Justiça
A Justiça já havia concedido liminar mantendo o desconto, citando risco de “danos irreparáveis” e de inflação nos preços. Durante as audiências, a Ceagesp propôs a criação de um grupo de trabalho com participação de comerciantes e da Sabesp para buscar alternativas, além da prorrogação do benefício por mais um ano.
Disputa
O embate escancara a falta de sensibilidade social na condução da política tarifária e reacende o debate sobre o papel da Sabesp após a privatização. Mais do que um desacordo comercial, trata-se de uma disputa com potencial de afetar diretamente o custo de vida e a segurança alimentar de milhões de paulistanos.


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