A Gazeta de Pinheiros recebeu em sua redação Fernando Sampaio, presidente da associação AME Jardins, entidade que representa os bairros dos Jardins América, Europa, Paulista e Paulistano, e morador da região há 40 anos, para falar sobre a alteração no trajeto da futura Linha Rosa do metrô que vem causando preocupação entre moradores.
GP – Qual a principal reivindicação em relação a Linha Rosa?
FS – É importante deixar claro que somos favoráveis ao metrô. Ele representa um transporte público sustentável, tira carros das ruas e melhora a mobilidade urbana. O problema está na alteração do traçado que originalmente previa cinco estações da Linha Rosa na Faria Lima: Pedroso de Morais, Faria Lima (Largo da Batata), Rebouças, Tabapuã e Jesuíno Cardoso. As três primeiras foram substituídas por uma nova estação na Teodoro Sampaio, próxima ao cemitério, com baixa demanda de passageiros.
GP – Vocês defendem então que a Linha Rosa passe ao longo da Faria Lima?
FS – Sim, não faz o menor sentido tirar três estações da Faria Lima, um dos maiores eixos financeiros da América do Sul e trocar por uma nova estação no cemitério. É incomparável o volume de usuários. Seria como se tivéssemos construído a linha da Avenida Paulista passando pela Alameda Franca. É um equívoco que ainda está a tempo de ser corrigido.
GP – Há indícios de que a mudança teve influência externa?
FS – Não sabemos. Existem várias especulações. A única certeza é que ninguém irá assumir publicamente. Mesmo dentro do metrô, a maioria dos técnicos e engenheiros defende a linha original. Foram eles que desenharam o traçado. Nas primeiras conversas, o Metrô alegou problemas de profundidade, depois que seriam os custos, agora que foi decisão técnica.
GP – Vocês buscaram apoio técnico?
FS – Sim. Contratamos a Urucuia Mobilidade Urbana. O estudo foi feito com especialistas sérios e renomados como Sérgio Avelleda, Mário Fioratti e Irineu Gnecco. Foi um risco pois o estudo poderia comprovar que estávamos errados. Mas, como esperado, comprovou que o traçado original é o que melhor atende ao interesse público, na medida em que contempla uma área de altíssima circulação de pessoas, com grande concentração de empregos, comércios, serviços e equipamentos urbanos.
GP – Vocês conseguiram apoio à proposta de retorno ao traçado original?
FS – Estamos já com 20 associações legítimas e representativas, ganhando mais adesões à medida que todos começam a entender que a população ficará sem três estações neste trecho da Faria Lima. É desanimador saber que milhares de trabalhadores, comerciantes e moradores continuarão andando a pé pela Faria Lima, sem opção de metrô nesta região. Não estamos pedindo nada novo, só o que o próprio Metrô havia planejado inicialmente.
GP – Quais os próximos passos?
FS – Dialogar com os vários órgãos responsáveis pelo transporte público em São Paulo. Apresentar o estudo cuidadosamente elaborado para, com dados técnicos, demonstrar ao Metrô que o melhor traçado é o originalmente previsto, aquele que percorre a Faria Lima. Essa é uma oportunidade histórica que não pode ser desperdiçada.