Moradores reclamam da Enel e cobram diálogo após podas danosas a árvores na capital paulista
Moradores de bairros como Jardins, Butantã e Itaim expressam indignação com os métodos de poda adotados pela Enel Distribuição São Paulo desde que a empresa assumiu os serviços anteriormente conduzidos pela Eletropaulo. Há décadas essa comunidade acompanha de perto a atuação da concessionária, mas reclama da persistência de podas em formato de “V”, consideradas prejudiciais à saúde das árvores.
Padrão danoso de poda
Segundo relatos de ambientalistas locais, mesmo após contato com a empresa em reuniões no escritório central da Enel, o padrão de poda danoso de adequação não foi alterado. Árvores sofreram quedas sob efeito das intervenções realizadas — muitas em torno dos residenciais da Zona Oeste —, e alertas feitos pelos moradores às equipes de campo não surtiram resultados práticos.
Empresa responde
Em resposta, a Enel afirma seguir normas técnicas da ABNT e legislações municipais, realizando exclusivamente podas de adequação: aquelas que afastam galhos da rede elétrica sem comprometer a saúde da árvore. A concessionária argumenta que os eletricistas recebem treinamento em arborização urbana, legislação e manejo florestal, sempre acompanhados por profissional habilitado em campo.
Enel executou somente 1%
No entanto, dados da Secretaria Municipal das Subprefeituras de São Paulo revelam que a Enel executou apenas 1 % das podas previstas para 2024: cerca de 1.730 contra as 240 mil planejadas. Segundo relatório, ainda há mais de 6.000 árvores em contato com a rede elétrica aguardando intervenção. Já o ‘Metrópoles’ mostra que cerca de 3.200 árvores em situação similar aguardam ações, e que apenas 92 % dos ofícios encaminhados têm sido atendidos dentro dos prazos acordados.
Danos irreparáveis
Moradores afirmam que os cortes ocasionam danos irreparáveis: o formato em “V”, por exemplo, diminui a copa e fragiliza a árvore, favorecendo o ataque de cupins e provocando eventual morte das plantas. Mesmo com intervenções “necessárias”, há percepção de que as equipes exageram e comprometem a estabilidade das árvores.
Descaso com os jornais regionais
Além disso, ambientalistas e associações de imprensa regional cobram a Enel por descaso nas relações com os jornais regionais e a AJORB-Ass. dos Jornais e Revistas de Bairro de São Paulo, que apresentam circulação consolidada em toda a capital. O chamado para estabelecimento de diálogo e transparência não tem sido atendido, reforçando críticas públicas reiteradas.
Multas
Enquanto isso, a Justiça de São Paulo determinou que a Enel atenda dentro de 90 dias todos os pedidos de poda antigos, sob pena de multa de até R$ 1.000 por árvore não manejada a tempo. Apesar de afirmar ter realizado cerca de 100 mil podas no primeiro quadrimestre de 2025 na capital, Enel diz que melhorará o acompanhamento com painel online por meio de seu “Pôdometro”.
A comunidade ambientalista conclama a Enel a abrir caminhos de diálogo e a atuar com maior sensibilidade técnica e comunicação transparente, reconhecendo a importância da arborização urbana para a saúde e bem‑estar da cidade.