USP inicia demolição de muro na raia olímpica para criar “corredor verde” na Marginal Pinheiros
A Universidade de São Paulo (USP) começou nesta segunda-feira (7) a demolição do muro de alvenaria que separa a Marginal Pinheiros da raia olímpica, na Zona Oeste da capital paulista. As obras, que acontecem entre 23h e 4h para reduzir impactos no trânsito, devem ser concluídas até domingo (13).
Corredor verde
No lugar do antigo muro, será implantado um “corredor verde” com o plantio de árvores ao longo do canteiro que margeia a via. A iniciativa faz parte de um projeto anunciado em 2022 pelo reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior, que pretende transformar a área em um espaço sustentável e integrado à paisagem urbana. “Saímos do conceito de muro para o de um corredor ecológico, que muda completamente a relação entre a universidade e a Marginal Pinheiros”, afirmou Carlotti Junior em entrevista à rádio CBN.
Uma ideia que não deu certo
A história do muro entre a USP e a marginal tem sido marcada por polêmicas. Em 2017, a universidade iniciou com patrocínios a substituição do antigo muro de tijolos por uma estrutura de vidro, ao custo de R$ 20 milhões. A obra foi inaugurada em abril de 2018 pelo então prefeito João Doria, mentor da ideia, que não deu certo.
Quebra das placas de vidro
Contudo, apenas 15 dias após a inauguração, as primeiras placas de vidro começaram a quebrar misteriosamente, sobretudo durante a madrugada. Ao todo, 26 placas foram danificadas em poucos meses. Um inquérito da Polícia Civil descartou vandalismo como principal causa. Segundo laudo do Instituto de Criminalística (IC), os problemas estavam ligados a falhas na instalação, vibrações constantes de carros e caminhões na marginal, além de armazenamento inadequado dos vidros. Outra razão do insucesso da iniciativa foi o grande número de aves mortas, por impacto na área transparente.
A perícia analisou 11 placas quebradas e indicou que apenas duas apresentavam marcas de impacto de objeto contundente. Em outros casos, não foram encontrados vestígios de instrumentos ou projéteis, levantando dúvidas sobre a concepção do projeto original.
Com a demolição final do muro e a criação do corredor verde, a USP busca não apenas corrigir um projeto problemático, mas também aproximar visual e ambientalmente a universidade da cidade.