Entidades e associações de bairro, além de moradores de Pinheiros, da Avenida Faria Lima, Av. Juscelino Kubitschek, Av. Rebouças, Lapa, Indianópolis, Itaim, Moema, Jardins, Vila Madalena e principalmente da rua Doutor Virgílio de Carvalho Pinto, onde se localiza a tradicional vila de casas que existe deste os anos de 1940, estão preocupados com os projetos anunciados da futura Linha 20 do Metrô, com previsão de conclusão apenas em 2040. Todos temem pela desapropriação de seus imóveis e alteração de vias e trajetos nas zonas oeste e sul da capital.
Moradores se manifestam
“Queremos preservar o estilo de vida, o urbanismo, uma cidade menos agressiva, menos vertical, menos concretada.” G.M.
“Escritórios já entraram em contato oferecendo serviços de pedido de indenização (?).” M.G.
“Utilizamos o meio de transporte e entendemos a importância dele para a cidade. Mas defendemos que um meio do caminho seja estudado como alternativa pela Cia. do Metrô, para que a vila e outros imóveis não precisem ser demolidos. E veja que a futura estação Teodoro Sampaio ficará pelo projeto a menos de um quilômetro da já existente Fradique Coutinho, da Linha 4 - Amarela. Uma sobreposição de estações”. A.M.
"Me avisaram e já fiquei doida. Eu não sabia o que fazer.". Eu não quero sair daqui. Não tenho onde ficar e por aqui não vou achar casa. E, se eu sair para apartamento, é pagando aluguel. O que eu recebo de aposentadoria não dá.” Y.O.
“O projeto já foi alterado uma vez, pois a ligação deveria ser feita com a Estação Faria Lima, e não com a Fradique Coutinho. Essa alteração atendeu a quais interesses, e de quem? Foi feita audiência pública, porém poucos ficaram sabendo, o que tem sido uma praxe nos governos de Doria/Tarcísio, Doria/Bruno Covas/Ricardo Nunes, a exclusão da participação popular em qualquer intervenção que ocorra na cidade, ou seja, dos principais interessados. Finalmente, existe trabalho técnico demonstrando que o solo na região apresenta dificuldades técnicas”, concluem os moradores
Desapropriação de 680 imóveis
Resolução, da Secretaria de Parcerias e Investimentos do Estado sobre a linha de Metrô publicada em março de 2025, declarou 680 imóveis como "de utilidade pública, para fins de desapropriação, ocupação temporária ou instituição de servidões, por via amigável ou judicial" entre a Avenida Santa Marina, na Lapa, e a Avenida Abraão de Morais, no Cursino, zona sul. Assim a futura “Estação Teodoro Sampaio”, ameaça imóveis em duas vilas tradicionais, segundo os moradores. Outras casas de rua e um centro assistencial de motivação profissional do Rotary Club, que funciona desde 1978, também estão na rota.
Sondagens geotécnicas
Já existe um canteiro de obras com placas do Metrô na esquina com a Rua Cardeal Arcoverde. A Cia. informa que "estão em andamento as sondagens geotécnicas para apoiar o trabalho de engenharia". A área ocupada pela vila de Pinheiros está em uma Zona Eixo de Estruturação da Transformação Urbana (ZEU), segundo a nova Lei de Zoneamento de São Paulo, que estabelece regras para uso e ocupação do solo. O local não é tombado. Segundo o índice FipeZAP, que avalia preços de imóveis com abrangência nacional, o bairro é o que tem o segundo metro quadrado mais caro da cidade, avaliado em R$ 18.010/m² em maio de 2025. A Prefeitura informa que essas porções do território são áreas urbanas estratégicas, onde se pretende promover usos residenciais e não residenciais com densidades demográfica e construtiva altas. A ideia é construir prédios, misturando residência e serviços, para aproveitar o solo.
O projeto da Linha 20-Rosa
O Metrô de São Paulo afirma que está no processo de elaboração do projeto básico da Linha Rosa. "Dentro do processo de revisão técnica do anteprojeto, são avaliadas eventuais alterações de traçado e o reposicionamento de estações." Em janeiro, o governo estadual autorizou a contratação do projeto básico para os 31 quilômetros da linha, que deve ter 24 estações. O consórcio MNEPI, formado pelas empresas Mauertec, Nova Engevix, Pólux e Intertechne, trabalha com o prazo de 20 meses, a partir de fevereiro deste ano, para entregar o cronograma com detalhes do projeto e o prazo para a conclusão.
Segundo o Metrô, avaliações podem levar à revisão das áreas inicialmente previstas para desapropriação. "Alternativas são analisadas a partir de critérios absolutamente técnicos, como demanda de passageiros, possibilidade de integração com outras linhas em operação ou em planejamento, e a viabilidade construtiva em cada ponto do traçado."