Moradores continuam denunciando excesso de barulho em shows no Parque Villa-Lobos e criticam descaracterização

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O Parque Villa-Lobos, um dos maiores e mais tradicionais espaços verdes da zona oeste de São Paulo, tem gerado crescente insatisfação entre moradores de bairros vizinhos como Alto de Pinheiros, Vila Madalena e City Boaçava. O motivo são os eventos de grande porte promovidos no local, que vêm transformando a área de lazer em uma espécie de casa de shows a céu aberto — com níveis de ruído que ultrapassam, de forma gritante, os limites legais de tolerância.
Sob gestão de uma concessionária privada desde 2013, o parque passou a abrigar com frequência festivais de música e eventos corporativos que utilizam estruturas de palco, torres de som e iluminação voltadas para públicos de milhares de pessoas. O resultado é uma paisagem sonora agressiva, que reverbera em dezenas de quarteirões e invade as residências da região com graves intensos e ruídos constantes, em horários muitas vezes estendidos até a noite.
De acordo com moradores, a mudança descaracteriza o propósito original do parque como espaço de convivência, contemplação e contato com a natureza. “O Villa-Lobos virou um grande palco de shows. O som invade minha casa mesmo com janelas fechadas. Já não é possível usar o parque como antes, em paz”, relata A.G., moradora da Rua Pio XI.

Relatórios técnicos e medições realizadas por coletivos locais indicam que os decibéis registrados durante os eventos frequentemente superam os 85 dB, quando o permitido por lei em áreas residenciais é de 50 dB durante a noite. Mesmo com diversas denúncias feitas ao 156 e à Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, as reclamações parecem não surtir efeito. A concessionária não responde publicamente às críticas e tampouco apresenta planos de mitigação de ruído ou redimensionamento da agenda de eventos.
Especialistas em urbanismo e direito ambiental alertam para o uso indevido de parques urbanos como espaços de entretenimento de massa. “Um parque tem função ecológica e social, não deve ser tratado como arena de show. Há uma violação do direito ao sossego e à saúde mental dos moradores”, afirma E.M.
A população afetada cobra mais rigor da Prefeitura de São Paulo na fiscalização dos níveis de ruído e na regulação do uso do espaço público. A permanência desse modelo pode representar não apenas a perda de qualidade de vida para os bairros do entorno, mas também o esvaziamento do sentido coletivo e ambiental que deu origem ao Parque Villa-Lobos.
Resposta da concessionária
“A Reserva Novos Parques Urbanos, concessionária responsável pela gestão do Parque Villa-Lobos, reforça seu compromisso com o bem-estar da comunidade do entorno e com o cumprimento rigoroso da legislação vigente no que se refere à emissão de ruídos. O Parque adota um protocolo técnico de controle sonoro em todos os eventos de maior porte, que inclui: medições de ruído com base na NBR 10151:2019, norma que regulamenta os níveis de pressão sonora; contratação de empresa especializada, com emissão de laudos técnicos e relatórios que atestam a conformidade dos eventos com os limites legais; reposicionamento de palcos, conforme determinações do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com os órgãos competentes e comunicação prévia ao PSIU (Programa Silêncio Urbano), realizada pelos promotores. importante destacar que, diante de qualquer apontamento ou demanda, a Concessionária mantém-se aberta ao diálogo. Nosso objetivo é equilibrar o uso plural do espaço público, como previsto em contrato de concessão, com o respeito absoluto à qualidade de vida dos moradores do entorno.
Os eventos realizados no Parque são devidamente aprovados pelo Conselho do Parque e pelo órgão concedente.”


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