Moradores de Pinheiros temem desapropriações da Linha 20-Rosa do Metrô pois “ninguém foi comunicado”

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Moradores de uma tradicional vila de casas localizada entre as ruas Joaquim Antunes e Doutor Virgílio de Carvalho Pinto, em Pinheiros, na Zona Oeste, estão apreensivos diante da possibilidade iminente de desapropriação total do local. A área está no traçado previsto da futura Linha 20-Rosa do Metrô, que ligará a capital paulista ao ABC, mas, segundo relatos, até agora nenhum morador foi oficialmente comunicado pelo governo estadual.
680 imóveis
A inquietação aumentou após a publicação, em março, de uma resolução da Secretaria de Parcerias em Investimentos que declarou como de utilidade pública 680 imóveis localizados nas zonas Oeste e Sul da capital. Esses imóveis — entre casas, comércios e galpões — serão desapropriados e demolidos no trecho entre a futura Estação Santa Marina, em São Paulo, e Cursino, em Santo André. A área atingida soma 366 mil metros quadrados, o equivalente a 51 campos de futebol.

“Estamos em choque”
Apesar da magnitude do projeto, moradores afirmam ter sido surpreendidos. “Estamos em choque. Ninguém esperava, ninguém foi comunicado”, disse o advogado Gabriel Meller, que vive na vila desde a infância. Ele relata que moradores começaram a ser abordados por escritórios de advocacia oferecendo serviços de intermediação de indenizações, gerando ainda mais confusão e desconfiança.
O Metrô reconheceu que ainda não há um cronograma definido para notificação dos atingidos. Segundo Luiz Antônio Cortez, gerente de planejamento e meio ambiente da companhia, o processo será conduzido por via escrita e com base no valor de mercado dos imóveis. “Caso haja acordo, será feita compra e venda. Se não, o processo segue por ação judicial”, afirmou.
Projeto demora 20 meses
O consórcio responsável pelo projeto — formado pelas empresas Maubertec, Nova Engevix, Pólux e Intertechne — terá 20 meses para elaborar e entregar o projeto básico da linha, que terá 31 km de extensão e 24 estações.
Enquanto isso, o Metrô alerta para golpes: indivíduos têm se apresentado como representantes da companhia para oferecer falsas indenizações. A empresa reforça que não autoriza intermediários e que todas as tratativas devem ser feitas diretamente com seus canais oficiais.
A incerteza continua pairando sobre centenas de famílias, que temem perder suas casas sem sequer terem voz no processo.


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