Instituto Butantan permanece sob fogo por desmatamento e expansão irregular em área histórica da capital

Por
4 Min

O Instituto Butantan, em cumplicidade com a Fundação Butantan, enfrenta uma grave crise institucional e ambiental. Sob a justificativa de modernização de sua infraestrutura — incluindo estacionamentos, restaurantes e espaço para “turismo científico” — a instituição pretende cortar e dizimar sumariamente mais de 7 mil árvores adultas cinquentenárias, com licenciamento comprometido e supostamente irregular da CETESB, com aprovações duvidosas de conluio de “Governo para Governo”. Basta lembrar que promoveu a supressão de mais de 17 mil m² de Mata Atlântica entre 2021 e 2022, em uma área tombada desde 1981 pelo Condephaat como bem cultural de interesse histórico e paisagístico estadual.
 

MP pediu paralisação
A destruição inclui árvores em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e espécies protegidas por lei. Um inquérito civil do Ministério Público de São Paulo foi instaurado e recomendou a paralisação imediata das obras, mas denúncias indicam que os desmatamentos seguem ocorrendo, muitas vezes nos fins de semana, de forma discreta.

 

Tortura sonora
Além do impacto ambiental, moradores relatam uma “tortura sonora” constante causada por exaustores, geradores e equipamentos de ar-condicionado de novas instalações fabris, que funcionam 24 horas por dia. Casos de insônia, estresse, ansiedade e hipertensão têm sido relatados por vizinhos do instituto, localizado em uma área estritamente residencial.

 

Plano Diretor suspeito
Outro ponto sensível é o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI) do Instituto. Elaborado pelo arquiteto Carlos Augusto Mattei Faggin — que presidia simultaneamente o Condephaat —, o plano foi aprovado em 2022, levantando sérias dúvidas sobre conflitos de interesse. Faggin foi condenado por improbidade administrativa em outro caso e teve seu escritório contratado por cerca de R$ 1 milhão para elaborar o projeto.

 

Licenças duvidosas
As críticas à expansão aumentaram com a previsão de construção de prédios de até 48 metros, muito acima do limite legal de 25 metros para a região. Entidades civis e moradores denunciam a omissão da CETESB e da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, que teriam concedido licenças ambientais de forma “apressada e duvidosa”.

 

SOS Instituto Butantan
Durante plenária do movimento ‘SOS Instituto Butantan’, realizada em 8 de maio, ficou claro que a comunidade não é contra a produção de vacinas, mas rejeita a industrialização do bairro, especialmente diante da existência de áreas alternativas — como a Fazenda São Joaquim, em Araçariguama, com mais de 1.200 hectares — para expansão fabril.

 

Comunidade protesta
Novo protesto da comunidade pelo movimento SOS Instituto Butantan, acontece neste sábado às 10 horas com uma “caminhada em defesa das árvores, do clima e da vida”, que vai partir da Estação Metrô Butantã até o Instituto.
Após manifestações com “abraço na mata” e outros eventos, o diretor do Instituto, Esper Kallás, agendou reunião com o movimento para início de junho. Segundo o vereador Nabil Bonduki (PT), Kallás reconheceu os erros da gestão anterior, liderada por Dimas Covas, e prometeu buscar alternativas para os projetos, embora ainda sem propostas concretas. Vereadores de diferentes partidos têm manifestado apoio à causa. A possibilidade de acionar o Ministério Público Federal está em análise, uma vez que o inquérito estadual se encontra estagnado.
A população do entorno segue mobilizada, exigindo respeito ao patrimônio histórico e ao meio ambiente. A devastação promovida em nome da “modernização” ameaça não apenas a biodiversidade local, mas também o equilíbrio urbano e a qualidade de vida em uma das regiões mais importantes da cidade.


Notícias Relacionadas »