Concessão da Nova Raposo: governo ignora população e ameaça o meio ambiente na zona oeste
O governo do Estado de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio de Freitas, avança de forma autoritária na concessão da Rodovia Raposo Tavares à iniciativa privada, ignorando completamente a população e os impactos socioambientais do projeto. O contrato de R$ 7,9 bilhões com a Ecovias Raposo Castello, assinado em março de 2025, entregou à concessionária a responsabilidade sobre 92 km das rodovias Raposo Tavares, Castello Branco e Coronel PM Nelson Tranchesi. O que deveria ser uma medida para melhorar a mobilidade tem se mostrado, na prática, um plano que agrava desigualdades e ameaça o meio ambiente.
Destruição de áreas preservadas e mananciais
Um dos pontos mais críticos do projeto é a construção de uma nova ligação viária entre a Raposo Tavares e a Régis Bittencourt (Um mini rodoanel). O traçado proposto corta áreas preservadas de Mata Atlântica, mananciais e zonas de amortecimento de parques estaduais, além de atingir diretamente bairros residenciais em Cotia, Embu das Artes e Itapecerica da Serra. Comunidades tradicionais, áreas verdes, milhares de árvores frondosas e corredores ecológicos estão em risco iminente.
Denúncia de danos ambientais irreversíveis
Diversas organizações, como a Sociedade Ecológica Amigos de Embu (SEAE), o Coletivo Águas Urbanas e a ONG Preservar Ambiental, vêm denunciando os danos ambientais irreversíveis que a nova rodovia causará. “Estudos já comprovaram a presença de pelo menos 19 espécies de mamíferos nessa região. A fragmentação do habitat e o aumento do tráfego vão reduzir ainda mais a biodiversidade”, afirma Rodolfo Almeida, da SEAE.
Consulta pública questionável
Além disso, o processo de consulta pública foi conduzido de maneira questionável. Moradores relatam falta de transparência, divulgação precária e ausência de escuta real. As audiências públicas ocorreram com pouca antecedência, muitas vezes em horários e locais de difícil acesso, o que inviabilizou a participação popular. “É um projeto imposto de cima para baixo, sem diálogo com quem vive e cuida desse território”, denuncia Adriana Abelhão, da ONG Preservar Ambiental.
“Nova Raposo NÃO!”
Para debater os riscos e exigir alternativas sustentáveis, foi realizado no último dia 9, na Assembleia Legislativa do Estado de São o I Seminário “Nova Raposo, NÃO! Nossa Raposo Viva”. O evento contou com a presença do geógrafo Marcos Ummus, do ativista Maurício Ramos (Coletivo Águas Urbanas), do engenheiro Ivan Maglio (USP/FAU), com moderação do urbanista Fabio Robba. O objetivo foi ampliar a mobilização e expor os impactos socioambientais de um projeto tecnocrático e excludente
Seis pedágios
Outro ponto que revolta a população é a instalação de seis novos pórticos de pedágio no trecho entre o km 11,8 e o km 39,1 da Raposo Tavares — inclusive em áreas densamente urbanizadas, como a Granja Viana. A medida penaliza motoristas que utilizam a via no dia a dia, sem oferecer alternativas reais de transporte público.
Desprezo do governo Tarcísio
O movimento “Nova Raposo, Não!” vem se articulando nas redes sociais e em abaixo-assinados, exigindo que o governo reavalie o projeto e apresente soluções mais humanas e sustentáveis. A imposição desse modelo, sem transparência nem participação, revela o desprezo do governo Tarcísio pelo direito à cidade e pela preservação ambiental.