Moradores denunciam: Fundação e Instituto Butantan seguem derrubando árvores em área protegida

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A Fundação e Instituto Butantan continuam a desrespeitar normas ambientais e legais, mantendo projetos controversos dentro de uma área tombada como patrimônio histórico, cultural e ambiental. A situação, que já é alvo de inúmeras denúncias, ganha novos contornos com um vídeo enviado por um morador vizinho ao centro de pesquisa, para o Grupo 1 de Jornais - Gazeta de Pinheiros, em 17 de março, no qual é possível ouvir o som de motosserras em operação dentro da área protegida. Este é apenas mais um episódio de um histórico de violações, que inclui a derrubada de mais de 2 mil árvores desde 2022, para a construção de um possível restaurante, um edifício-garagem e outras instalações polêmicas com fins turísticos, incompatíveis com a missão científica da instituição.
 

“A Fundação está agindo como um verdadeiro vilão”
A construção, que ameaça um dos últimos espaços verdes da região, foi licenciada por decisões discutíveis da desacreditada Cetesb (“Com aprovação de um órgão do governo para o mesmo governo”) e os moradores acreditam que segue em andamento, apesar de sentenças judiciais e intervenções do Ministério Público. Ambientalistas denunciam que as obras não só comprometem a fauna local, mas também colocam em risco o patrimônio ambiental, como a mata que cobre mais de 60% dos 730 mil metros quadrados do Butantan, uma área tombada pelo CONDEPHAAT e COMPRESP. "A Fundação está agindo como um verdadeiro vilão, desviando-se de sua função original para se envolver em empreendimentos privados", afirmam os ambientalistas, que criticam a falta de transparência e os interesses empresariais por trás dos projetos.

 

Gestão questionada
A gestão da Fundação Butantan é ainda mais questionada por conta da figura de Carlos Augusto Mattei Faggin, ex-presidente do CONDEPHAAT e ex-presidente da própria Fundação, que foi condenado por improbidade administrativa em um caso envolvendo o destombamento de um casarão histórico em Guarulhos. Faggin, que também assinou o controverso Plano Diretor do Instituto Butantan, é acusado supostamente de agir em benefício próprio, favorecendo a construção de um complexo industrial na área protegida.

 

Comunidade exige auditoria
A questão ganha novos desdobramentos após a revogação das licitações para as obras planejadas, como o restaurante e o centro administrativo. A comunidade local, representada por movimentos como o Grupo de Resistência, exige uma auditoria completa das ações da Fundação e a suspensão imediata das obras.
Além disso, a falta de diálogo com a sociedade civil é flagrante. "Desde a troca de direção na Fundação, com a transferência de Rui Curi para o Instituto e Dimas Covas para a Fundação, as decisões têm sido tomadas de forma autoritária e sem o devido respeito à comunidade", denuncia a ‘Rede Butantã’, que luta com movimentos sociais contra a destruição ambiental na região.

 

Prejuízos à qualidade de vida
O impacto das obras no meio ambiente é evidente, com a destruição de árvores e a ameaça à fauna local, como observado com o aparecimento de animais como saguis nas ruas da região. Especialistas alertam que a industrialização de uma área urbana já saturada, trará sérios prejuízos à qualidade de vida da população local, além de agravar o aquecimento urbano e o congestionamento do trânsito.
A comunidade e os ambientalistas exigem que o Ministério Público tome medidas urgentes para impedir a continuidade das obras e que o Governo do Estado reveja seu apoio a projetos que colocam em risco um dos maiores patrimônios ambientais da capital.

 

Instituto responde
“O Instituto Butantan reitera que todo e qualquer manejo arbóreo realizado em suas dependências ocorre apenas após emissão das devidas licenças e autorizações legais dos órgãos competentes e em conformidade com a legislação vigente, mediante compensação a partir do replantio de outros exemplares arbóreos. Esclarece, ainda, que as intensas chuvas que têm ocorrido na cidade provocaram queda de árvores no Parque da Ciência, obrigando a realização do corte dos troncos caídos para desobstrução dos acessos e para evitar risco de acidentes. Além disso, são realizados manejos quando há risco de queda, constatado por especialistas, com laudo técnico e autorização prévia dos órgãos ambientais, visando garantir a segurança da população.
O Plano Diretor - planejamento de áreas e espaços que norteia as ações do Instituto para os próximos anos – foi devidamente aprovado pelos órgãos competentes. Vale esclarecer, ainda, que o sr. Carlos Augusto Mattei Faggin não desempenha nenhuma atividade para o Instituto desde fevereiro de 2023, quando teve início a atual gestão. O projeto do escritório em questão foi encerrado e o inquérito sobre conflito de interesse, arquivado pelo Ministério Público”.


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