Estrondos de aviões, de 2 em 2 minutos, continuam gerando protestos em Vila Madalena e Pinheiros

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A reorganização do espaço aéreo em São Paulo, implementada pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) desde 2021, continua causando grande impacto sonoro, comprovadamente acima do limite municipal permitido em decibéis, em bairros da Zona Oeste. Moradores de Pinheiros, Vila Madalena, Alto de Pinheiros, Boaçava, Lapa, Itaim Bibi e região do Parque Villa-Lobos, reclamam do grande aumento no nível de ruído provocado pelas aeronaves que passam em voo rasante sobre suas casas para aterrissarem no Aeroporto de Congonhas.
 

Barulho ensurdecedor de 110 decibéis
Segundo supostos relatórios da Aena, concessionária de Congonhas e da Infraero-Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária, a migração do barulho para regiões fora das curvas de ruído estabelecidas pelo Plano Específico de Zoneamento de Ruído (PEZR) aconteceu apesar de uma redução de 15,18% no ruído nas áreas antes mais afetadas. No entanto, a população dos bairros recentemente impactados relata incômodo constante, com barulho medido em mais de 110 decibéis, quando o limite em zonas residências não pode passar de 55 db, segundo a legislação municipal. “A lei do silêncio em São Paulo segue o que é determinado pela OMS, mostrando que os parâmetros, principalmente na Vila Madalena, estão muito acima dos permitidos”, afirmam os moradores atingidos de 2 em 2 minutos das 6 às 23 horas.

 

Moradores acionam a Justiça
Associações de moradores criticam a falta de transparência sobre as mudanças e recorreram à Justiça contra a à Aena e o descaso da Infraero e Decea. O processo resultou na criação de uma central de conciliação mediada pela Justiça Federal, onde está sendo discutida a necessidade de regulamentação em áreas ruidosas, como as que estão acontecendo agora em São Paulo, principalmente em Pinheiros e Vila Madalena.

 

Expansão e aumento de voos
Congonhas movimenta anualmente mais de 22 milhões de passageiros e passa por um amplo projeto de expansão, com previsão de investimentos de R$ 2 bilhões até 2028. A ampliação do aeroporto e o aumento do número de voos preocupam moradores, que já sofrem com a poluição sonora excessiva.

 

Críticas e questionamentos
Moradores usam redes sociais para protestar contra o barulho incessante e questionar a escolha das novas rotas. Alguns sugerem que as trajetórias fossem redesenhadas para que as aeronaves sobrevoassem a Marginal do Rio Pinheiros, minimizando o impacto sobre áreas residenciais.

 

"Desde agosto de 2024, os aviões passam por Alto de Pinheiros a cada dois minutos, das 6h às 23h. Não estou aguentando", afirma E.M., que tem hiperacusia.
Outro morador, L.M., que é autista, destaca que percebeu uma mudança drástica no ruído em 2024. "Antes era tolerável, agora é insuportável".

 

“Primeiro foi o Morumbi e Butantã onde os moradores reclamavam do barulho na subida e ligação de últimas turbinas sobre as residências. Depois foi o protesto dos frequentadores do Parque do Ibirapuera e bairros circunvizinhos sobre o som estridente nas aterrisagens. Tiveram êxito, foram feitas alterações!  E agora DECEA, AENA e Infraero ‘despejaram’ todos os estrondos em Pinheiros e Vila Madalena”. N.M.
 

“O Aeroporto de Congonhas sempre foi desafiador para os pilotos na operação. Sempre teve a fama de mau! O tamanho da pista é uma das preocupações. Congonhas não tem área de escape, termina a pista e não tem onde correr, ou cai lá embaixo ou de um lado ou do outro...” (Trecho de depoimentos da ‘Tragédia Anunciada’, série documental da Netflix sobre a tragédia que aconteceu em 2007, em voo comercial da TAM Linhas Aéreas-atualmente Latam).
 

“ Hoje eu pensei muito fortemente em desistir de tudo, em desaparecer desse mundo porque estou enlouquecendo com o barulho dos aviões que chegam no Aeroporto de Congonhas fazendo aqui no meu apartamento um barulho ensurdecedor de 2 em 2 minutos, desde as 5:50 horas da manhã até as 23 h todos os dias.” M.A.
 

“Eu não tenho condições de mudar de casa e já gastei $ 5.000,00 colocando janela antirruído que não adianta, pois o barulho dos aviões é tão forte que passa até com vidro multilaminado.” M.F.
 

“O que mais me revolta é que sempre morei aqui e o barulho dos aviões não era assim antigamente. Passava um avião a cada 15 minutos, pois tínhamos 15 minutos de sossego entre cada barulho e outro e dava pra viver perfeitamente bem.” W.L.
 

“Desde que Congonhas foi privatizado pela ‘Aena’, eles aumentaram os voos ao limite e os aviões passam sem parar de 2 em 2 minutos, e demoram quase 1 minuto inteiro passando no céu voando baixo e fazendo um barulho gigantesco. No final das contas é apenas 1 minuto de silêncio e em seguida já vem um barulho enorme, se repetindo o dia todo. Mais de 300 vezes. Estou enlouquecendo, não tem nenhum momento do dia que eles param.”. R.C.
 

“Televisão nem dá para assistir, pois o barulho dos aviões impossibilita que escutemos o que estão falando, e não dá pra deixar no volume máximo.”. P.L.
 

“Não há descanso. Eu nem moro perto do aeroporto, mas o barulho dos aviões chegando é ensurdecedor, pois eles precisam sobrevoar vários bairros residenciais para pousar em Congonhas.”. M.C.
 

“O que mais me dói é que venho escrevendo no ‘Instagram’ do aeroporto, o quanto o barulho desse aumento exagerado de voos é comprovadamente prejudicial à qualidade de vida dos moradores. Dói à beça e não tenho como mudar de casa. E quando peço ajuda relatando meu desespero, nada acontece.” L.O.
 

“Imagino que durante todo meu tempo de vida nada vai mudar, o aeroporto vai continuar visando aumentar cada vez mais os voos, sem se preocupar em estabelecer ao menos de intervalo mínimo de pelo menos 10 minutos, entre cada avião.”. J.P.
 

“A maioria das pessoas desse país não entende o quanto o silêncio é salutar para o raciocínio e a concentração. Debocham de quem tem mais sensibilidade, atacam quem pede silêncio para conseguir descansar em nossas próprias casas. As pessoas saem fazendo barulho, sem nunca nem cogitar que pode estar invadindo o espaço do outro.” M.A.
 

“Aqui, além do barulho dos aviões, são os bares barulhentos, pois não consigo dormir hora nenhuma. Preciso usar medicamentos, moro aqui desde que nasci e hoje idosa, não tenho pra onde ir. Tentei vender a casa, mas não consigo, pois onde ela está localizada é um lugar com muito barulho, e o pior é que eu amo minha casa e o bairro. Hoje qualquer um pode abrir bar, tocar som nas alturas. Tentamos reclamar, chamar a polícia, mas eles não dão a mínima, e se descobrem que você é a denunciante, ameaçam de morte...” B.S.
 

A Gazeta de Pinheiros continuará a campanha pelo silêncio
Enquanto os moradores pedem soluções, a Aena, DECEA, Infraero e a Prefeitura de São Paulo ainda não apresentaram medidas efetivas para mitigar o problema. A Gazeta de Pinheiros continuará acompanhando o caso.


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