Em meio a protestos foi assinada concessão da Nova Raposo: MP deve barrar o projeto

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O governo de São Paulo assinou, nesta segunda-feira (17), o contrato de concessão da Rodovia Raposo Tavares com a empresa Ecovias. O acordo, firmado por meio da Secretaria de Parcerias e Investimentos (SPI), permitirá que a iniciativa privada administre a rodovia por 30 anos, após vencer o leilão realizado no fim de 2024 por R$ 2,19 bilhões. O "Nova Raposo", prevê ampliações, novos viadutos, um túnel na chegada à Marginal Pinheiros e a implantação de pedágios, incluindo um no km 11, na região do Butantã. O projeto faraônico tem muita resistência popular e pretende conectar com um “novo” rodoanel as rodovias Regis Bittencourt (Br-116), Raposo Tavares (SP-270) e Castelo Branco (SP-280), promovendo uma devastação de milhões de metros quadrados em áreas protegidas de Mata Atlântica e mananciais, nos municípios de Cotia, Embu das Artes e até Itapecerica da Serra e que poderá comprometer seriamente o abastecimento de água da Guarapiranga.
Nenhuma alternativa de transporte coletivo está sendo anunciada: corredores exclusivos de ônibus, metrô ou linhas férreas (CPTM), que seriam as mais indicadas para atender a população e não somente privilegiar veículos e caminhões. Questiona-se também se foram estudados os custos/benefícios/viabilidade de ferrovias para transporte de cargas, tanto na redução urgentíssima das emissões de gases na queima de combustíveis fósseis quanto no custo do frete aos produtos transportados.
Nova Raposo Não!

Apesar das promessas de modernização, a assinatura do contrato ocorre em meio a forte resistência popular. Desde abril de 2024, moradores, ambientalistas e entidades civis se mobilizam contra o projeto, criticando a falta de transparência e os impactos ambientais e sociais. O movimento "Nova Raposo, Não!" tem organizado protestos e reuniu mais de 10 mil assinaturas em um abaixo-assinado pedindo a suspensão do projeto. Segundo pesquisa do grupo, 63% dos 2.166 entrevistados desconheciam o projeto e 69% acreditam que ele causará danos ambientais e financeiros.
O que teremos na prática, será veículos chegando um pouco  mais rapidamente a locais já congestionados nas marginais e na cidade, por um custo altíssimo da obra, com danos ambientais e pedágios permanentes.  Sem falar que essa ampliação levará também à indução da construção de mais moradias  e prédios no entorno da rodovia, já muito adensada, afirmaram moradores do movimento.
Questionamentos políticos
A proposta também enfrenta questionamentos políticos. A deputada estadual Marina Helou (Rede) protocolou um pedido de representação no Ministério Público para barrar o projeto. Além disso, moradores da zona oeste de São Paulo e cidades vizinhas acusam o governo de realizar audiências públicas sem divulgação adequada, impedindo maior participação popular. Foram realizadas apenas duas audiências, com menos de 60 pessoas presentes.
Desapropriações
Entre as principais críticas está a previsão de desapropriações e a remoção de áreas verdes, o que afetará regiões de contenção de enchentes e 8 parques às margens da rodovia sendo 7 municipais, no Butantã, e um parque estadual de conservação entre São Paulo e Cotia. São áreas remanescentes de Mata Atlântica que constam de planos municipais de proteção importantíssimos como o PMMA(plano municipal da Mata Atlântica) e o PLANPAVEL(Plano municipal de áreas  verdes protegidas e espaços livres).
Essas áreas possuem inúmeros córregos afluentes do Pirajuçara e do Jaguaré, nascentes e vegetação nativa inclusive aquática, como por exemplo no Parque Linear Itaim. Desempenham também papel fundamental de conexão e corredores verdes com outros parques e são moradia de muitas espécies da fauna.
100 entidades apoiam a “Nova Raposo Não!”
Em nota, o governo afirma que ainda não há desapropriações definidas e que os impactos ambientais serão analisados em novas audiências e defende que a concessão trará melhorias viárias e desafogará o trânsito, mas o movimento contrário segue mobilizado para tentar impedir a implantação do projeto. Mais de 100 entidades, entre ONGs e associações de moradores, já declararam apoio à causa “Nova Raposo Não”, ainda mais em tempos de crises climáticas.


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