População se mobiliza contra projeto da Nova Raposo

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Desde abril de 2024, a proposta do Governo de São Paulo de expandir a Rodovia Raposo Tavares, chamada de "Nova Raposo", tem gerado forte resistência em bairros da capital como Butantã, Pinheiros e cidades ao longo da rodovia. O projeto prevê a construção de novas pistas, pedágios, viadutos e túneis, além de desapropriações de residências e a remoção de muitas áreas verdes. O projeto faraônico pretende conectar com um “novo” rodoanel as rodovias Regis Bittencourt (Br-116), Raposo Tavares (SP-270) e Castelo Branco (SP-280), promovendo uma devastação de milhões de metros quadrados em áreas protegidas de Mata Atlântica e mananciais, nos municípios de Cotia, Embu das Artes e até Itapecerica da Serra. Nenhuma alternativa de transporte coletivo está sendo anunciada: corredores exclusivos de ônibus, metrô ou linhas férreas (CPTM), que seriam as mais indicadas para atender a população e não somente privilegiar veículos e caminhões.
 

“Nova Raposo, Não!”
O movimento “Nova Raposo, Não!” vem organizando protestos para alertar a população sobre os impactos ambientais e sociais do projeto. Entretanto, o governador Tarcísio de Freitas não apenas fugiu do diálogo com o público, como deliberadamente alterou a data de leilão da concessão, para que pudesse ocorrer longe dos olhos e da atenção do público, em um movimento que pode ser classificado no mínimo como autocrático.

 

Custo de R$ 9 bilhões
O custo da obra é estimado em R$ 9 bilhões e prevê a construção de 48,6 km de pistas marginais, 31,2 km de faixas adicionais e a instalação de pedágios ao longo da Raposo Tavares, Castelo Branco e Coronel Nelson Tranchesi. Além disso, haverá a derrubada de árvores, a remoção de áreas de contenção de enchentes e impactos diretos em parques e bosques do Butantã, dos municípios de Embu das Artes, Cotia e Itapecerica da Serra. A falta de diálogo com a população tem sido um dos maiores pontos de crítica. Apenas duas audiências públicas foram realizadas, com a participação de menos de 60 pessoas.

 

Desconhecimento do projeto
Pesquisa realizada pelo movimento, com 2.166 moradores impactados, revelou que 63% desconheciam o projeto e 69% acreditam que ele trará danos ambientais e financeiros. Além disso, 49% defendem a melhoria do transporte público como alternativa para a mobilidade, apontando que o projeto não considera soluções sustentáveis.
A falta de transparência na divulgação do projeto e a escassa participação popular nas discussões sobre a obra geraram ainda mais indignação. Segundo Ernesto Maeda, coordenador do movimento, o projeto ignora as necessidades locais e favorece interesses rodoviários em detrimento da qualidade de vida da população.
Apesar dos protestos e da pressão para que o governo suspendesse imediatamente o projeto e a busca por alternativas mais sustentáveis e inclusivas, o governo Tarcísio segue de forma unilateral com a iniciativa. Mais de 100 entidades, incluindo ONGs e associações de moradores, já apoiam o movimento. Esses grupos também buscam conscientizar a população sobre os riscos do projeto, que prevê impactos diretos nas comunidades ao longo da Raposo Tavares, BR-116 e outras.


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