Enterrar fios em São Paulo: urgência climática e uma saga inacabada

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Apagões, tempestades e promessas: em São Paulo, a cena se repete: temporais derrubam árvores, fios se rompem e milhares ficam sem luz. A solução, apontada há anos, esbarra em custos bilionários, entraves burocráticos e falta de coordenação para enterrar a fiação.
Apenas 0,3% subterrâneo: com uma rede de 20 mil km, a capital paulista tem ínfimos 0,3% dos cabos soterrados. Programas como o "SP sem Fios" avançam lentamente, enquanto a população sofre com os impactos da crise climática.
Vantagens claras, desafios enormes: cabos subterrâneos resistem a intempéries, evitam acidentes e embelezam a cidade. No entanto, o custo estimado é de R$ 81 bilhões, a manutenção é complexa e a falta de mapas precisos dificulta as obras.

Histórico de frustrações: leis e programas foram lançados, mas enfrentaram contestações judiciais e falta de planejamento. A Enel e as empresas de telefonia alegam dificuldades e questionam a competência municipal sobre o tema.
Quem paga a conta? O impasse persiste: empresas não querem arcar com os custos, e o receio é que a conta chegue ao consumidor. O Ministério Público investiga acordos, buscando uma solução.
O futuro: em meio a promessas e entraves, o enterramento dos fios segue como um desafio urgente para São Paulo se adaptar à crise climática, e garantir um futuro mais seguro e resiliente. A solução exige ação coordenada, investimento estratégico e priorização do bem-estar da população.

*Ivan Maglio é engenheiro civil com doutorado em Saúde Pública e pós-doutorado pelo Instituto de Estudos Avançados da USP.


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