Pinheiros, um dos bairros mais antigos e tradicionais de São Paulo, está sob a ameaça constante do avanço das incorporadoras. Os PDE-Planos Diretores anteriores e atual, tem facilitado a verticalização desenfreada da região, gerando indignação entre os moradores que defendem a preservação dos imóveis históricos e de interesse cultural. A maioria da população apoia o tombamento de tais propriedades, vendo nele uma forma de preservar a identidade e a história do bairro. Por sua vez, o CONPRESP, Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio, Histórico, Cultural e Ambiental da cidade, arquiva deliberadamente os processos provisórios, em uma visão ultrapassada, não relevando os estudos feitos pelos DPH, Departamento de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal da Cultura.
Proteção de 600 imóveis Esse cenário se repete em outros nove trechos de Pinheiros, onde os pedidos de tombamento buscam proteger vários bens imóveis de novas demolições. Recentemente, o Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo) arquivou processos que visavam o tombamento de 70 imóveis no bairro, alegando que não houveram estudos por parte do DPH apresentados nas reunioes para decisão dos conselheiros.
Preservar o bairro Urbanistas argumentam que a diversidade arquitetônica de Pinheiros torna difícil a preservação ampla, mas defende que os esforços devem focar em tombamentos pontuais, ressaltando a importância de preservar a ambiência e a identidade do bairro, que estão sendo rapidamente substituídas por altos edifícios. Rosanne Brancatelli, coordenadora do movimento Pró-Pinheiros, acredita que a preservação é essencial para manter o estilo de vida que torna o bairro único. Ela aponta a verticalização mal planejada em termos de estudo de impacto e sem preservação de certas localidades de casario como Vilas do Sol, rua Francisco Iasi, Irmão Lucas, Vila Candida que estão a merçe do mercado imobiliário, uma ameaça que não pode ocorrer mais, considerando ainda as irregularidades das vendas HIS para uso de locação temporária."
Verticalização desenfreada A situação é agravada pelo Plano Diretor Estratégico de 2014, que incentivou a construção de prédios maiores próximos a corredores de ônibus e estações de metrô. A revisão de 2023 ampliou esses incentivos, tornando Pinheiros ainda mais atrativo para o mercado imobiliário. Diante desse cenário, a luta pela preservação continua sendo discutida, mas é claro que a identidade de Pinheiros está em jogo. A decisão sobre o futuro dos imóveis tombados caberá ao Conpresp, enquanto a população aguarda ansiosa por uma solução que concilie desenvolvimento urbano e preservação histórica.
Tombamento O casario dos anos 70 da Rua Estela Sezefreda, estão na sua maioria preservadas e os telhados, portas e janelas da Rua Dr Phidias de Barros e Pascoal Del Gaizo é um exemplo dessa preservação que deve ser tombada. As pequenas ruas estreitas de testada de 6 a 8 metros com um pouco mais de 200 metros, as ruas mantém o perfil de sobrados residenciais, resistindo à descaracterização que afeta outras áreas do bairro. E as casas do entorno do quadrilátero sofreram adequação dos pequenos comércios que fazem uma combinação atraente de muito interesse cultural e turísticos. Vem gente de todo canto do país, é um shopping ao céu aberto.