​Por que Nova Raposo, não?

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Desde o dia 9 de abril, quando souberam pelos jornais o que seria o projeto ‘Nova Raposo’, lideranças de movimentos populares, de associações de moradores, comunidades, coletivos ambientalistas, simples moradores, trabalhadores, profissionais liberais e aposentados, tomaram para si uma tarefa: barrar o projeto ‘Nova Raposo’.
Não há absolutamente nada que se salve na proposta do governo: desapropriações de milhares de moradores, desmatamento de milhares de árvores e intervenção em sete parques municipais e um estadual.
Alargamento de 25 metros de cada lado da pista, 111 mil carros a mais. Zero projeto de transporte público de massa. Sequer, um corredor exclusivo para ônibus. Túneis, viadutos, concreto, infraestrutura cinza passando por cima de áreas de proteção ambiental, córregos, nascentes e famílias vulneráveis.

Tentamos diálogo com o Secretário de Parcerias e Investimento e o diretor da Agência de Transporte do Estado (ARTESP) que sempre cancelaram, em cima da hora, as três audiências públicas na Assembleia Legislativa que foram convidados. A última, nesta segunda-feira, 25 de novembro. Sabem que não têm argumento. Estamos embasados com especialistas e juristas. Esse projeto é um crime, vai contra todas as tendências de sustentabilidade no mundo.
Enquanto quebram concreto para plantar, os governos Municipal e estadual desmatam sem nenhum constrangimento, árvores centenárias, lindas, de incrível serviço ambiental para colocar mais concreto.
Mais concreto, entenda-se bem: mais calor, aumento da temperatura, mais seca. Quando chover, menos permeabilidade, mais alagamento, enchentes e sabe-se lá o que nos aguarda os eventos climáticos extremos.
Não basta estar vivo para ver a seca na Amazônia ou o estado do Rio Grande do sul imerso em água. É absolutamente insano que nesse momento, o Bosque dos Salesianos, o Parque Jurubatuba, as árvores da Sena Madureira, 10 mil árvores da Mata Atlântica na Zona Leste, e todo o corredor verde do Butantã, estejam sob o mais desmedido ataque. Quantos mortos serão necessários para entender a gravidade da crise ambiental?
Por tudo isso, esse movimento Nova Raposo, NÃO! levantou mais de 25 mil assinaturas, realizou seis plenárias presenciais com mais de 150 pessoas presentes em média, tem 5 mil seguidores no Instagram e contratou uma pesquisa para comprovar o absurdo dessa obra: 63% dos moradores do Butantã desconhecem o Projeto Nova Raposo. Dos que tem carro próprio, 49% acham que a alternativa é o transporte público. 67% acreditam que a crise climática será agravada e 50% temem por suas casas.
Ontem (28) foi o leilão. O movimento’ Nova Raposo, Não!’ estará no B3, na Bolsa de Valores, com idosos, trabalhadores, estudantes, protestando contra o absurdo dessa obra. Estamos acionando todos os recursos jurídicos possíveis e desde já agradecemos o acolhimento do Ministério Público do Meio Ambiente de São Paulo.
A luta não acaba no leilão. Não haverá um dia sem resistência contra o absurdo dessa obra. Preparem-se senhores da ganância: nenhuma árvore a menos, nenhuma casa derrubada. Somos fortes. Aguardem!

*Fabíola Lago, jornalista, 58 anos, moradora do Butantã, mãe de dois filhos. É membro da coordenação do movimento ‘Nova Raposo, NÃO!’ e da ‘Rede Ambiental Butantã’.


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