​Fundação do Instituto Butantan: desmatamento ilegal e desrespeito à comunidade tem audiência pública dia 18

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Desde agosto de 2022, a Fundação Butantan tem sido alvo de graves denúncias pela comunidade local, veiculadas pelo Grupo 1 de Jornais-Gazeta de Pinheiros. O foco das críticas recai sobre as ações de desmatamento dentro do Instituto Butantan, uma área protegida, onde mais de duas mil árvores foram cortadas para a suposta construção de instalações com fins turísticos, como um restaurante e um edifício-garagem, contrariando a missão original da entidade.

Desvio de finalidade

Ambientalistas apontam que a Fundação Butantan tem desviado de sua finalidade de apoio à pesquisa e produção, adotando iniciativas de caráter empresarial que resultam em graves impactos ambientais. “A Fundação é o verdadeiro vilão da história, pois foge da sua finalidade e toma iniciativas de caráter empresarial. São dezenas de denúncias contra o desrespeito ao patrimônio público”, afirmam os ativistas.

Acordos questionáveis e licenciamento controverso
Apesar das críticas e questionamentos de autoridades e do Ministério Público, a Fundação Butantan recebeu licenciamento da Cetesb, um órgão estadual pouco respeitado, para a realização das obras. Este licenciamento foi considerado de “Governo para o próprio Governo”, destacando a falta de transparência e a ingerência política no processo. A área de 14 mil metros quadrados desmatada permanece abandonada e sem esforços visíveis de recuperação.

Conflitos legais e audiência pública
A Fundação enfrenta ainda problemas legais com o Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), devido à aprovação do Plano Diretor que favorece interesses empresariais e ignora a proteção do patrimônio histórico e ambiental. O presidente do Condephaat, Carlos Augusto Mattei Faggin, que também foi presidente da Fundação Butantan, foi condenado por improbidade administrativa em um caso relacionado, levantando suspeitas sobre a integridade dos processos de aprovação.

Audiência pública dia 18 de novembro
Uma audiência pública sobre as polêmicas ações da Fundação Butantan está marcada para o dia 18 de novembro, onde se espera que a comunidade tenha a oportunidade de expressar suas preocupações e exigir respostas das autoridades envolvidas, já que a comunicação do Instituto se nega a comentar os fatos de destruição de imensas áreas verdes em seu domínio, sempre com críticas severas de ambientalistas, engenheiros e a própria USP. 

Impactos e futuro do Instituto Butantan
As ações da Fundação não só comprometem o ambiente natural como também desrespeitam o patrimônio histórico e cultural da área. A construção de um complexo industrial, que inclui a produção de vacinas, trará impactos negativos, como aumento do tráfego, poluição sonora e risco biológico, além de contribuir para o aquecimento local devido à destruição das áreas verdes.
A comunidade e os movimentos ambientalistas continuam a lutar para que a grande área com resquícios de Mata Atlântica do Butantan seja preservada, defendendo que investimentos em infraestrutura sejam realizados em locais mais adequados, sem comprometer o "pulmão" verde que a área representa. 

Audiência pública
O evento "Fundação Butantã - Impactos e Incertezas” irá realizar um debate sobre uma das principais instituições de pesquisa do país. Serão ouvidos José Mendes Neto, da Procuradoria de Contas do Estado de SP; Renata Esteves, do ‘Defenda SP’; Helena Dutra Lutgens, da Associação dos Pesquisadores Científicos e Helio Rodrigues, do Sindicato dos Químicos. 
A iniciativa é do Deputado Carlos Giannazi e tem o apoio da ‘Rede Nosso Parque’. O evento acontece no dia 18 de novembro, às 18h, no Auditório Teotônio Vilela da Assembleia Legislativa, localizada na Avenida Pedro Álvares Cabral, 201.


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