​Muro de vidro e transparência da USP: um murinho sem vergonha... continua opaco!

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Há mais de seis anos acompanhamos o desenrolar do muro de vidro que separa o campus da USP da Marginal Pinheiros. O assunto sumiu, ou os envolvidos esperaram que sumisse. Mas na Gazeta de Pinheiros, ele reaparece!
Na época, recomendamos sutilmente que a USP devolvesse delicadamente o "presente de grego" aos doadores e o substituísse por plantio de vegetação densa e arbustiva tipo "sansão do campo", no lugar do delicado "voo de urubu".
Acho que acertamos!

A jogada de merchandising foi um "tiro no pé". Óbvio que a transparência da USP não pode nem será obstruída por CO². O engano tem sua origem na pertinência arquitetônica, algo assim como se diria na atual moda: "sustentabilidade"! Beleza americana, que se assim se desejava expor, posto que vulnerável, deveria ser detalhada com a excelência laboratorial do competente IPT, na própria USP.
O muro é muito "chic", tangencia ao desperdício social que requer conservação eterna, murinho arrogante em espaço público, "decoração de exterior". Algo do perfil visual impecável do ex-prefeito Doria... que não pegou bem! Só faltava ver enormes limpadores de para-brisa!
A arquitetura infelizmente não tem um juiz para apitar o jogo da urbanidade. O muro de vidro laminado, o mais caro dos vidros, mostrou à delicadeza que lhe cabe ficar opaco. Seu custo operacional, mesmo que ainda estivesse firme, não se paga, mas apaga a imagem exemplar da USP, que não merece esta impensada contribuição.
É o país Brasil que se impressiona com a fachada da frente, aquela erroneamente chamada de 'fachada principal', sem compromissos maiores com as outras elevações.
Arquitetura de fachada quebra à toa, esfarela!
*Nadir Mezerani é arquiteto, urbanista, professor e diretor da Gazeta de Pinheiros.


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