Como um péssimo roteiro feito por quatro roteiristas incompetentes pode estragar um filme praticamente perfeito
Mestres do Universo (2026), em cartaz nos cinemas brasileiros, poderia ter sido um dos melhores longa-metragens do ano caso o diretor não tivesse insistido nos mesmos erros de Thor: Amor e Trovão ao invés de copiar os acertos de "Um Filme Minecraft", que quase chegou a um bilhão mesmo sendo mais infantilizado do que esses dois filmes juntos.
Na verdade, o novo filme de He-Man não soube encontrar o tom ideal, pois os momentos mais dramáticos ficavam bobos de repente, quebrando o clímax de forma broxante.
Principalmente nas boas cenas de ação quando o diretor encaixava aquela piada infame, irresistível, que destruía a sequência por completo.
Em outras palavras, quando o herói ameaçava se desenvolver em sua jornada, ele era nerfado imediatamente, voltando aquele tom de comédia insuportável.
Contudo, os outros atores são um show a parte, principalmente o afrodescendente Idris Elba interpretando o Mentor.
A sua longa rivalidade com o Mandíbula faz parte desses bons momentos dramáticos, dando a impressão de que em algum momento algum deles morreria.
Assim como o Lex Luthor de Nicholas Hoult, o impiedoso Esqueleto de Jared Leto rouba a cena também, depois de várias tentativas fracassadas do ator interpretando Ares, Morbius e o Coringa.
A brasileira Morena Baccarin consegue ser uma excelente guia espiritual do imaturo Príncipe Adam (Nicholas Galitzine), embora os poderes mágicos da Feiticeira deixem a desejar, já que o Esqueleto com seus capangas entrava no Castelo de Grayskull quando queria, pois naquela fortaleza icônica não existia campo de força e a ponte levadiça ficava sempre aberta.
Os segredos guardados pelos antigos anciãos, cujo dono era o Rei Grayskull, não foram mencionados no filme, apenas a Espada do Poder de He-Man e a Espada da Proteção de She-Ra (Lauren Saliu), cuja heroína aparece de costas nas cenas pós-créditos.
Fisto, "Robota" (Kristen Wiig), Aríete e Homem-Fera foram bem caracterizados e Ciclope se consolidou como um autêntico espião a partir da animação de 2002.
Já Maligna (Alison Brie) finge ser submissa ao Esqueleto enquanto rivaliza com Teela à espera da hora ideal para dar o golpe, a fim de tomar o trono do seu algoz.
Filha de pais brasileiros, Camila Mendes, foi quem assumiu o manto de Teela com a missão de encontrar o seu protegido na Terra depois de 15 anos desaparecido.
Adam, quando criança, fugiu do Esqueleto se exilando no planeta natal da mãe, mas perdeu a Espada do Poder quando chegou lá e só a encontrou depois de atingir a maioridade enquanto trabalhava no Recursos Humanos, em Oklahoma City, análogo a um humilde camponês; cuja longa estadia na Terra moldou a sua personalidade que se mantém inalterada até quando está transformado em He-Man, ganhando muita força muscular, mas sendo o mesmo desengonçado do desenho original.
Porém, no desenho original ele finge ser bobo e aqui ele é um idiota por completo.
O Rei Randor (James Purefoy), que educou o filho à base de muita disciplina, foi morto de forma tosca, pois a intenção do diretor Travis Knight era substituir o patriarcado pela soberania da rainha Marlena (Charlotte Riley), ansiosa pelo reencontro com a filha Adora.
O final poderia ter sido um confronto épico entre He-Man e o Esqueleto, mas acabou se transformando num drama psicológico de auto-ajuda onde o Príncipe Adam aprendeu que vilões não se combatem no divã mas cortando ao meio com a sua espada.
Garcia Júnior é a voz do He-Man, sendo o único dublador do desenho original que ainda está na ativa, além da voz do Gorpo; por isso, optem pela versão dublada nos cinemas.