Todo Mundo em Pânico
Rogério Candotti | [email protected] | blogdorogerinho.wordpress.com
Embalados pela segunda era da comédia romântica as comédias de humor absurdo ganharam força entre 1990 e o início do ano 2000, concordando até com Apocalipse 3:16: "Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca".
É o caso de Todo Mundo em Pânico (2000) ou Um Susto de Filme em Portugal que parodiou a melhor franquia de terror daquela década, amparado em Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado e Matrix.
Numa época em que era comum fazer piada sobre preto, gay, maconheiro e mulher burra sem correr o risco de cancelamento.
Já Todo Mundo em Pânico 2 (2001) homenageia os filmes de possessão demoníaca e casas mal-assombrada, a partir de O Exorcista, Terror em Amityville e Poltergeist; além de O Homem Sem Sombra e Hannibal que marcaram época, cujos deficientes físicos daquela casa foram as minorias escolhidas para se tirar sarro.
Os dois primeiros foram dirigidos por Keenen Ivory Wayans, enquanto o terceiro e o quarto foram dirigidos por David Zucker (do trio ZAZ), responsável por impulsionar a carreira de Charlie Sheen e Leslie Nielsen.
Por isso, esses dois atores icônicos de Hollywood são a novidade em Todo Mundo em Pânico 3 (2003) ao lado de Kevin Hart, que roubou a cena logo em seu primeiro papel importante no cinema.
Dessa forma, o longa dirigido por David Zucker satiriza O Chamado, Sinais, Matrix Reloaded e 8 Mile, misturando terror, ficção científica e mistério; com participações especiais de Pamela Anderson e Jenny McCarthy no prólogo; Queen Latifah, como o Oráculo, e Denise Richards que era casada com Charlie Sheen na época.
Já Todo Mundo em Pânico 4 (2006) satiriza O Grito, Guerra dos Mundos e
Menina de Ouro — numa das cenas mais engraçadas da franquia —; além de O Segredo de Brokeback Mountain (com Kevin Hart) e A Vila (com Bill Pullman e Carmen Electra — interpretando a menina cega). No prólogo, Shaquille O'Neal é a vítima dos Jogos Mortais de Jigsaw.
Com vários adiamentos e a troca inteira do elenco principal, incluindo Anna Faris por estar grávida na época e Regina Hall por acompanhá-la, Todo Mundo em Pânico 5 (2013) teve a menor bilheteria da franquia. Volta apenas Charlie Sheen ao lado de Lindsay Lohan — como ela mesma, criticando a sua própria vida desregrada. Com participações especiais de Terry Crews, Heather Locklear, Snoop Dogg e Mike Tyson, o longa dirigido por Malcolm D. Lee e roteirizado por David Zucker satiriza os filmes: Atividade Paranormal, Cisne Negro, Mama , A Origem, Ted, Planeta dos Macacos, O Segredo da Cabana, Sobrenatural e o remake de A Morte do Demônio com a famosa frase "Klaatu Barada Nikto".
Assim, Todo Mundo em Pânico (2026), desde o dia 4 de junho nos cinemas brasileiros, traz de volta o elenco original, incluindo os irmãos Wayans como atores e roteiristas, e Michael Tiddes na direção em vez de Keenen Ivory Wayans; parodiando A Hora do Mal, Corra!, Longlegs, Halloween (2018), Pecadores, Terrifier 3, A Substância, M3GAN e Michael.
Sem poupar ninguém, o longa para menores de 18 anos faz questão de quebrar a quarta parede ao homenagear os anteriores sem deixar de criticar essa geração "nem-nem" mimada e a favor do pronome neutro.