Vudu é pra jacú
Rogério Candotti | [email protected] | blogdorogerinho.wordpress.com
O filme de terror independente Obsessão (2026) foi dirigido por Curry Barker e alcançou a marca histórica de mais de 442 milhões de dólares, arrecadados mundialmente, apesar do orçamento minúsculo de apenas 750 mil dólares, tornando-se o filme de terror mais lucrativo do século e a maior bilheteria da história para uma produção inferior a 1 milhão de dólares; superando clássicos como Operação Dragão e Atividade Paranormal.
Grande parte do sucesso deste longa-metragem ainda em cartaz nos cinemas brasileiros é graças a atuação hipnotizante de Inde Navarrette — conhecida como a filha de Lana Lang em Superman & Lois — que aqui interpreta uma jovem apaixonada loucamente por "Bear" Bailey (Michael Johnston) depois de ter sido vítima do artefato mágico comprado por ele numa loja de cristais, a fim de que o amasse mais do que qualquer pessoa no mundo.
Ao interpretar Nikki Freeman, Inde se inspirou na "Garota Infernal" de Megan Fox, na personagem de Toni Collette em Hereditário e na de Mia Goth em "Pearl".
O enredo é semelhante ao episódio de Contos da Cripta (1989): "Amado até a Morte" , uma variante do episódio "O Perseguidor", visto em Além da Imaginação (1959).
Ambos os episódios foram inspirados no conto A Pata do Macaco de W.W. Jacobs, adaptado no sétimo episódio da terceira temporada de Os Simpsons dentro da famosa franquia de Halloween: A Casa da Árvore dos Horrores II (O Pesadelo de Lisa: "A Patinha de Macaco") quando Lisa deseja a paz mundial, gerando um resultado inesperado e cômico.
Mona Lisa e a Lua de Sangue (2021), disponível no Prime Vídeo, é uma jovem coreana maltratada a vida inteira num hospício de Nova Orleans devido à seus dons telepáticos surpreendentes.
Após dominá-los por completo, Mona Lisa Lee (Jun Jong-seo) foge de lá com facilidade e se refugia na casa de uma prostituta com um filho para criar.
Aquela "bruxa" amparada pela lua de sangue, sem nenhum contato com o mundo exterior, até agora, opta pelo caminho do bem graças à convivência saudável com o garotinho Charlie Hunt (Evan Whitten), apesar das tentações constantes dentro daquela sociedade corrupta.
A prostituta hedonista Bonnie Hunt (Kate Hudson) foi quem a acolheu com a intenção de ganhar dinheiro fácil, mas ilegal, vitimas da perseguição implacável do policial legalista à la inspetor Javert de Os Miseráveis, Harold (Craig Robinson).
Elogiada por Tarantino, a cineasta Ana Lily Amirpour cria um universo de fantasia e terror que esconde por trás um importante estudo de personagem, sem vilanizar traficantes, policiais ou prostitutas, mas analisar as motivações e interesses de cada um deles.
Hokum — O Pesadelo da Bruxa (2026) foi inspirado na bruxa Cailleach da mitologia gaélica (irlandesa, escocesa e manesa), associada à criação da paisagem e do clima. No folclore irlandês, ela é conhecida como a Bruxa de Beara, enquanto na Escócia é conhecida como Beira: A Rainha do Inverno — semelhante ao deus Bóreas da mitologia grega. É por isso que a aurora boreal acontece apenas nos meses de escuridão, perto do Círculo Polar Ártico, sendo visível em locais como Noruega, Finlândia, Suécia, Islândia, Alasca (EUA) e Canadá.
Contudo, a trama se desenvolve a partir do misterioso desaparecimento de um funcionário do Hotel Bilberry Woods, na zona rural da Irlanda, onde essa bruxa local sequestra crianças e as leva acorrentadas para um passeio pelo submundo, onde são atacadas pelas almas de lá, lembrando o clássico recente A Hora do Mal, disponível na HBO Max.
Áspero e desdenhoso com a equipe do hotel, o famoso escritor americano Ohm Bauman (Adam Scott — o astro da série Ruptura) é quem banca o detetive pelos corredores claustrofóbicos daquele hotel assombrado pela bruxa Cailleach.
O dono do hotel, Sr. Cob (Brendan Conroy) é sogro do gerente Mal (Peter Coonan). Cobb era o nome do personagem de Leonardo DiCaprio em "A Origem", que era casado com Mal (interpretada por Marion Cotillard).