Para comemorar o Dia de São Valentim (14) estreia em todos os cinemas na próxima quinta-feira, 12 de Fevereiro, a nova versão de O Morro dos Ventos Uivantes (2026), protagonizada por Margot Robbie e Jacob Elordi.
O maior romance da língua inglesa escrito pela britânica Emily Brontë discorre sobre as gerações da Granja dos Tordos e do Morro dos Ventos Uivantes, cerca de 7 quilômetros de distância; cujo parentesco entre eles misturado aos fantasmas do local tornou o clássico confuso, embora bem interessante.
Por isso, essa nova versão faz questão de ser tão didática quando uma novela da Globo de época, no auge na emissora, de modo a agradar a nova geração interessada apenas em desligar o cérebro e curtir o tórrido romance entre Cathy e Heathcliff e à fotografia deslumbrante, digna de Oscar, trocando o drama original pelo humor característico da atriz na maioria de seus filmes: a fórmula perfeita do bilhão no ano passado.
Porém, a melhor versão ainda é a de 1939, em preto e branco; enquanto a mais completa é a de 1992, estrelada por Ralph Fiennes e Juliette Binoche; já a de 2001 é mais poética e com menos diálogos, cuja câmera permaneceu focada naquele menino de rua negro adotado (James Howson), bastante apaixonado pela sua amada imortal (Kaya Scodelario).
Teve ainda a minissérie de TV com Tom Hardy e Charlotte Riley em 2009, uma das favoritas dos fãs do livro, cujo casal se apaixonou de verdade, permanecendo juntos até hoje.
Já Hester Prynne pode ser considerada a primeira heroína da literatura norte-americana. Por isso, Demi Moore foi escolhida para interpretá-la no auge de sua beleza e dos filmes mais polêmicos da carreira, cujas filhas Scout e Tallulah encarnaram Pearl como bebê e criança a fim de combinar com o título de Fernando Pessoa "A Letra Encarnada".
A Letra Escarlate (1995), disponível no Disney Plus, apesar de ser pouco fiel ao clássico homônimo de Nathaniel Hawthorne e contrariar a versão comovente de Wim Wenders em 1973, retrata muito bem aquela sociedade puritana do século XVII, formada de colonos calvinistas radicais depois de unir a religião com o Estado.
O escritor nascido em Salém em 1804, cujos antepassados condenaram à morte as famosas mulheres inocentes acusadas de bruxaria, teve de alterar a grafia do nome a fim de evitar comparações desnecessárias com aqueles juízes tiranos.
Porém, Hester, em vez de sucumbir a sua punição injusta por suposto adultério seguiu o exemplo de Caim quando foi protegido pela marca abençoada na testa, sendo fundamental naquela comunidade carente de Massachusetts: "Mulheres, especialmente — sempre tentadas por paixões equivocadas e pecaminosas, mulheres feridas, abandonadas, traídas, perdidas, ou ainda suportando o medonho fardo de um coração sem amor, portanto incapaz de amar —, dirigiam-se ao chalé para perguntar por que eram tão infelizes e se havia algum remédio para isso! Hester as consolava e aconselhava o melhor que podia" (A Letra Escarlate — Nathaniel Hawthorne).
Mas se Hester ficou decepcionada com o Novo Mundo, Madame Bovary se decepcionou com a rotina entediante do casamento que nem a bênção de ser mãe a curou.
Emma esperava viver o mundo fantástico dos livros lidos no convento, mas, em vez disso, bateu de frente com uma sociedade que negava autonomia às mulheres; casada com um marido afetuoso mas sem a profundidade emocional dos dois amantes traiçoeiros.
A personagem de Gustave Flaubert cometeu o erro mortal de tentar pertencer a uma nova burguesia hipócrita que derrubou a monarquia para tentar ser igual a ela.
Na França pós Revolução Francesa e Revolução de Julho, a classe média desejava imitar os hábitos e o estilo de vida nobre mesmo sem ter meios financeiros e culturais para isso.
Assim, aquela provinciana ousada, vinda do campo, comprou vestidos caros e utensílios desnecessários para sua casa, adquirindo empréstimos com agiotas ou falsificando assinaturas com o intuito de esconder aquelas transações escusas do marido ingênuo; isso em pouco tempo a levou tanto a ruína financeira como a ruína moral.
Por isso, o autor do "romance dos romances" Gustave Flaubert foi levado a julgamento onde utilizou a famosa frase "Emma Bovary c'est moi" (Emma Bovary sou eu) para se defender das acusações de ofensa à moral e à religião.
Na TV, em 2000, tivemos a minissérie da BBC em 4 capítulos, disponível no Youtube; e no cinema, em 1991, tivemos a versão francesa vivida pela femme fatale Isabelle Huppert, considerada uma das mais fiéis da telona.
Por fim, a versão mais recente de Madame Bovary está disponível na Pluto TV, estrelada por Mia Wasikowska, Henry Lloyd-Hughes e Paul Giamatti com um figurino deslumbrante.