Pater familias

Rogério Candotti | [email protected] | blogdorogerinho.wordpress.com

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O Planeta Marte fascina a humanidade desde a aurora dos tempos. Foram eles os responsáveis pela primeira invasão alienígena da literatura, devido a uma escassez de recursos naturais naquele planeta mitológico. A ideia do escritor britânico e fundador da Sociedade Socialista Fabiana, H. G. Wells, era criticar o colonialismo vitoriano, rendendo-lhe o apelido de  "Pai do Globalismo"; já que A Guerra dos Mundos (1898) inspirou a criação da ONU e demais organizações globalistas, contrárias ao imperialismo americano. 
Contudo, na noite de domingo: 30 de outubro de 1938, a fim de comemorar o Halloween e os 30 anos daquele romance clássico, o ator e futuro cineasta Orson Welles narrou o prólogo do livro na rádio "The Mercury Theatre on the Air", causando pânico em massa, migração e até a morte de alguns ouvintes, impulsionando a carreira do futuro diretor de Cidadão Kane (1941).   
A Guerra dos Mundos (1953) exalta o otimismo americano após a vitória na Segunda Guerra Mundial, embora a bomba atômica tenha sido inútil contra aqueles marcianos, senão a natureza divina na hora mais escura. 

Guerra dos Mundos (2005), disponível no Paramount Plus, foi a resposta que Spielberg encontrou aos ataques de 11 de Setembro, com ângulos de baixo para cima em homenagem às filmagens amadoras das Torres Gêmeas implodindo. O filho de Ray Ferrier (Tom Cruise) simboliza a euforia do soldado fanático "Nascido em 4 de Julho", enquanto Harlan Ogilvy (Tim Robbins) simboliza o trauma pós-guerra, e a graciosa Rachel (Dakota Fanning — roubando a cena), o gatilho de redenção áquele pai de familia desnaturado. 
Guerra dos Mundos (2025), na Prime Vídeo, inovou ao mostrar apenas o ângulo de visão da câmera instalada no computador de Will Radford (Ice Cube), tentando desesperadamente salvar o filho hacker e a filha grávida durante a invasão dos Tripods gigantes ao Planeta Terra, auxiliado pela Dra. Sandra Salas (Eva Longoria) que trabalha na NASA.
"Onde você estava quando eu lançava os fundamentos da Terra? (...) Quando as estrelas da manhã cantavam juntas, e todos os filhos de Deus bradavam de alegria?" — Livro de Jó 38:4-7.
A Árvore da Vida (2011), disponível no Prime Vídeo, vai do Átomo ao Arcanjo; do Big Band aos tempos atuais, cuja evolução da humanidade é representada por uma família texana dos anos 1950, além de uma autobiografia do diretor texano Terrence Malick. 
Por ser um filme extremamente católico, o Sr. O'Brien pode simbolizar o Deus vingativo do Velho Testamento (Brad Pitt) enquanto sua mulher a graciosa Maria de Nazaré (Jessica Chastain).
Já o primogênito Jack O'Brien — com as mesmas iniciais de Jó — representa a velha humanidade; e o filho do meio (RL), que morreu aos 19 anos de idade, pode ser visto como Jesus —- o Novo Adão. Por isso, o  filho caçula representa a humanidade contemporânea depois de Cristo. 
Se Uma Vida de Esperança (2024), disponível na HBO Max, não fosse baseado numa história real — reforçado pelas nas cenas reais durante os créditos finais — seria impossível acreditar que a jornada daquele humilde telhadista fosse verdadeira; uma vez que a fé de Ed Schmitt (Alan Ritchson — de Reacher) moveu montanhas de neve no dia mais frio do ano, a fim de salvar a vida da filha pequena de apenas 5 anos de idade. Essa mesma fé também colocou uma estranha em sua vida de forma inusitada — que acabou mobilizando uma cidade inteira — incluindo rádio e tv na noite mais escura; cuja determinação foi fundamental para Sharon (Hilary Swank) deixar de ser alcoólatra e se aproximar de seu único filho, lembrando Irmã Dulce na hora de capitalizar recursos, tanto de empresários como dos últimos presidentes militares, cujo objetivo era construir hospitais em ­Salvador.
Hilary começou a filmar cinco meses depois da morte do pai, Michael Swank, que havia recebido um transplante de pulmão em 2015 quando a atriz interrompeu a carreira por três anos para cuidar dele enquanto se recuperava do transplante.


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