Bem-vindo Superman
Rogério Candotti | [email protected] | blogdorogerinho.wordpress.com
O Superman (2025) de James Gunn está nos cinemas desde o dia 10 de julho, estabelecendo a convivência natural entre meta-humanos e humanos comuns há bastante tempo. A trama sobre o super herói mais famoso do planeta dispensou outra história de origem para se concentrar numa adaptação mais fiel aos quadrinhos e bem desenvolvida, com menos de duas horas de duração — excetuando os créditos.
Depois do fracasso de O Homem de Aço (2013) de Zack Snyder o co-presidente e co-CEO da DC Studios optou por uma versão infantil, sem ser infantilizada e boba demais, como em Godzilla x Kong: O Novo Império; pois neste novo universo da DC o alívio cômico é apenas o Krypto, roubando a cena na hora certa para salvar o dono.
Em vez de uma Metrópolis sombria e poluída, o diretor optou por cenas de ação limpas e à luz do dia, envolto numa trilha sonora inédita, mistura de John Williams e Hans Zimmer, onde o Superman de David Cornsweet é frágil e ingênuo em situações geopolíticas extremamente complexas, levando horas para se recuperar dos efeitos da Kryptonita verde ou de pancadas sobre-humanas; podendo ser morto de várias formas além da Kryptonita.
Por isso, o último filho de Krypton apanha muito dos capangas de Luthor (Nicholas Hoult) como da velha imprensa que influencia a população ignorante como massa de manobra.
O plano maléfico de Lex Luthor para enganar o povo, a imprensa e a opinião pública é através de um exército de hackers que dispara milhares de mensagens parcialmente falsas com o intuito de difamar aquele Kryptoniano inocente; confundido até os "Superamigos" Guy Gardner (Nathan Fillion) e Shayera Hol (Isabela Merced).
Apenas o Senhor Incrível (Edi Gathegi) e a melhor jornalista investigativa do país, Lois Lane (Rachel Brosnahan), o apoiam, porque buscaram a verdade acima de tudo antes de condená-lo sumariamente. A dupla foi fundamental para desmascarar seu maior inimigo narcisista com a ajuda de um membro amargurado da família Teschmacher, parente da secretária de Lex Luthor (Gene Hackman) no clássico de 1978 — Superman: O Filme (Versão Estendida), disponível na HBO Max.
Assim, esse novo Superman é extremamente humano porque prioriza salvar tanto pessoas quanto animais sem se curvar ao politicamente correto; abaixo apenas do personagem interpretado por Christopher Reeve: um verdadeiro herói dentro e fora das telas.
Nesse sentido, Super/Man — A História de Christopher Reeve (2024) conta a história do melhor Superman de todos os tempos: o primeiro que fez o homem voar, já que nas séries de TV da década de quarenta e cinquenta os atores viravam desenho animado enquanto voavam.
O mais romântico dos supermans, capaz de voltar no tempo por amor, era adorado por toda a população do planeta, a exemplo daquele Superman sem defeitos da Era de Ouro dos quadrinhos, entre 1938 e 1956.
Nem mesmo as sequências desastrosas de Richard Lester em 1983 e Sidney J. Furie em 1987 diminuíram o prestígio do personagem; principalmente depois da reedição de Superman II: A Aventura Continua, dirigida por Richard Donner; substituindo a versão pastelão exibida do cinema em 1980 — dirigida por Richard Lester.
Dessa forma, a versão canônica e definitiva de Superman II, inspirou a sequencia Superman — O Retorno (2006), porque apenas nela, o Superman faz sexo com Lois antes de perder os poderes, tendo assim, um filho provavelmente indestrutível antes de viajar pela galáxia afora por 5 anos.
Porém, o maior desafio da vida de Christopher Reeve aconteceria em 27 de maio de 1995, depois de lesionar a medula espinhal e ficar tetraplégico ao cair do cavalo durante uma competição; cujos dois filhos do primeiro casamento contam neste documentário, exibido pela HBO Max, sobre as mudanças radicais em suas vidas, embora quem tenha cuidado do pai de perto foi a sua segunda esposa Dana Morosini, fazendo-o recuperar movimentos leves do pé e da mão a partir do zero. Essa evolução significativa teria lhe proporcionado uma vida mais independente e saudável no futuro, caso o ator não tivesse falecido em 9 de outubro de 2004, um ano e meio antes de Dana com câncer de pulmão, deixando um filho de 13 anos nos braços de Robin Williams até o ator se suicidar; embora Will Reeve tenha seguido os passos daquele padrinho prestativo, ganhando uma participação especial no novo filme do Superman.
Atualmente, a Fundação Christopher e Dana Reeve virou referência mundial às pessoas com alguma deficiência física quanto à pesquisa com células-tronco, visando reverter suas paralisias.