Martin Scorsese poderia ter sido um gangster nova-iorquino em vez de um cineasta espetacular por retratar a essência da máfia em sua trilogia inusitada, disponível respectivamente no Max, Prime Vídeo e na Netflix.
Os Bons Companheiros (1990) descreve a vida hedonista do mafioso Henry Hill (Ray Liotta) por denunciar 50 colegas ao FBI a fim de não ser morto a qualquer momento pelo Caporegime Paulie (Paul Sorvino) ou pelo seu companheiro de trabalho Jimmy Conway (Robert De Niro) apelidado de “O Grande Irlandês”. Jimmy foi o responsável por organizar o maior roubo de dinheiro da história americana na época ao esvaziar os cofres da companhia aérea Lufthansa em 1978, localizado no aeroporto JFK contendo o equivalente a 30 milhões de dólares, corrigidos monetariamente. Hill esteve ligado à família Lucchese entre 1955 e 1980 até integrar o Programa de Proteção a Testemunhas quando abandonou aquela vida de prazeres materiais ao lado da esposa Karen (Lorraine Bracco). Ocorre que para pagar todas essas regalias enquanto esteve na prisão. Henry se tornou um traficante de cocaína enquanto o outro companheiro Tommy DeVito (Joe Pesci) era assassinado depois de matar um mafioso autêntico sem justificativas. Esse foi o começo de sua ruína.
Entre os anos setenta e oitenta a máfia também dominou os cassinos de Las Vegas roubando boa parte dos lucros até o gradual surgimento das grandes corporações. Ray Liotta dá lugar a Sharon Stone para ela ser indicada ao Oscar de Melhor Atriz. Na trama de Cassino (1995) ambientada desde 1973, o apostador esportivo Sam “Ace” Rothstein é enviado a Las Vegas para administrar o Cassino Tangiers, amparado pelo amigo de infância Nicky Santoro (Joe Pesci), embora o comportamento explosivo daquele mafioso totalmente iniciado o expulsou de todos os cassinos de Nevada em pouco tempo. Contudo, esse foi o menor dos problemas do empresário depois de se apaixonar perdidamente pela vigarista Ginger McKenna (Sharon Stone). É curioso, porém, que uma escuta despretensiosa do FBI tenha desencadeado a prisão de todos os envolvidos com aquela fraude milionária, menos Rothstein; até o Jornal Las Vegas Review publicar um artigo em 13 de outubro de 2008, dezessete dias após o falecimento do verdadeiro Frank “Lefty” Rosenthal. Na verdade, aquele judeu conrolador era um informante de longa data do FBI sob o codinome “Achilles” com o objetivo de acabar com aquele esquema de fraudes, impedindo, por exemplo, o desvio de propina ao Sindicato dos Caminhoneiros.