Coquetel Mississipi Flamejante

Rogério Candotti | [email protected] | blogdorogerinho.wordpress.com

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Robert Rodriguez nasceu no Texas, por isso a maioria de seus filmes se passa naquela região entre a fronteira dos EUA com o México. Seu primeiro trabalho já virou símbolo mexicano com apenas 3 semanas de gravações, orçamento de 7 mil dólares e lucro acima dos 2 milhões, inspirando as obras subsequentes do diretor, apesar de El mariachi (1992) ter sido exibido somente no Canadá e nos EUA. O parceiro fundamental de Quentin Tarantino esteve à frente das franquias Superespiões, Sin City e Machete, embora aquela que o revelou ao mundo foi a mesma que inspirou Ryan Coogler em seu novo projeto, exibido nos cinemas brasileiros desde o dia 17 de abril de 2025.
Estamos falando de Um Drink no Inferno (1996) que impulsionou a carreira de George Clooney, Juliette Lewis e Salma Hayek ao estrelato mundial, cuja transformação da estonteante modelo mexicana ao ver o sangue na mão de Tarantino foi uma das mais agradáveis surpresas do cinema ao som da banda Tito & Tarantula: formada pelo baterista do Oingo Boingo, Johnny Hernandez; o que ligou o pastor Jacob Fuller (Harvey Keitel) novamente a Deus com a ajuda do motociclista Sex Machine (Tom Savini); do veterano de Guerra do Vietnã Frost (Fred Williamson) e dos astros já mencionados acima, com o intuito de sobreviver aquele ataque sobrenatural dentro da boate Titty Twister.
A sequência, Um Drink no Inferno 2: Texas Sangrento (1999), apresenta poucas novidades, composta de bandidos liderados pelo personagem de Robert Patrick usando os mesmos óculos escuros do ciborgue mimético que o ator havia interpretado em O Exterminador do Futuro 2.

Ao contrário de Um Drink no Inferno 3 — A Filha do Carrasco (1999) ambientado no Velho Oeste Mexicano de 1913; cuja primeira parte também se sustenta sozinha em homenagem aos clássicos do gênero; principalmente No Tempo das Diligências, com destaque ao médico bêbado ganhador do Oscar vivido por Thomas Mitchell. Porém, quem rouba a cena no final é Sônia Braga como uma espécie de Elvira: A Rainha das Trevas.
Outro filme cult daquele cineasta texano que inspirou Coogler — mistura de O Enigma de Outro Mundo e Força Sinistra — foi Prova final (1998) rendendo a Elijah Wood, Famke Janssen e a paranaense Jordana Brewster o papel de Frodo, Jean Grey e Mia Toretto em O Senhor dos Anéis, X-Men e Velozes e Furiosos, respectivamente. Enquanto fogem de professores infectados por alienígenas, um grupo de estudantes do ensino médio em uma pequena cidade de Ohio comentam sobre parasitas à procura de hospedeiros mencionados em clássicos antigos do cinema, cuja identidade do assassino é revelada apenas no final, a exemplo de Ghostface da franquia Pânico.
Sucesso absoluto de público e crítica, Pecadores (2025) é o primeiro longa original dirigido por Ryan Coogler em que Michael B Jordan interpreta dois irmãos gêmeos idênticos depois de trabalharem para Al Capone enquanto vigorava a Lei Seca, em 1932. Dessa forma, Smoke e Stack retornam de Chicago ao Delta do Mississippi durante a imigração chinesa para inaugurar um juke joint — bar com música ao vivo — voltado para a comunidade negra; formado de músicos lendários do blues na vida real; pelo fundador do Metallica, Lars Ulrich, e pela protagonista do filme Hailee Steinfeld ao escrever e gravar a música original “Dangerous”. Ocorre que na calada da noite uma música cantada por vampiros do lado de fora daquele bar hipnotiza alguns pândegos em sintonia com eles, a fim serem convidados a entrar forçosamente, transformando aquele alegre recinto num pandemônio.


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