Enquanto o mundo clama por paisagens urbanas mais calorosas e saudáveis, bairros como a Vila Madalena despontam num desenfreado crescimento perpendicular, financeiro, em recusa à horizontalidade, diga-se, histórias, convívio, trânsito, flora, fauna, enfim, todo o antídoto contra a lápide da felicidade. Conclamemos o Oráculo de Delfos para entender o início, meio e fim do tão propalado Plano Diretor Municipal. Um legado dos infernos. O conglomerado que interligará as ruas Girassol e Fidalga (entre a Wisard e Aspicuelta) acelera as obras. “O barulho vai começar agora”, informa o técnico da construção. Lembra da charmosa padaria Santaetienne , à rua Harmonia? O edifício que a substituiu está quase habitável... Mas os futuros moradores não terão a experiência gastronômica dos antigos… Assim, assado! Na rua Iperó, perto da #merceariasaopedro (vendida para um grande empreendimento imobiliário), o prédio Onze 22 (Idea Zarvos) sobe entre a nuance do verde e o sopro de arte que resiste nas imediações. O visual, na esquina das ruas João Moura e Luminárias, está irreconhecível. Uma das casas mais lindas e históricas foi ao chão. Ambas as esquinas transformaram-se em canteiro de obras insólito e sem referência. Já o edifício que compõe o paredão de concreto na Simpatia está na reta final – começo da antipatia na estreita rua consagrada pelas árvores e beleza das flores. O grafite nos tapumes do arranha-céu à av. Pedroso de Morais (esq. com a Cardeal Arcoverde), Pinheiros, limítrofe com a Vila, traduz bem o futuro dos bairros: prédios, pedras, prédios e um sufoco no coração. *Blog da Vila está nas redes sociais sempre defendendo os moradores da Vila Madalena e Pinheiros