Verticalização acelera mudanças e preocupa moradores no Itaim Bibi

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O avanço da verticalização no Itaim Bibi tem provocado debates entre moradores sobre os impactos das transformações urbanas no bairro, um dos mais valorizados da capital paulista. Antigas casas e comércios tradicionais vêm sendo substituídos por torres residenciais e corporativas de alto padrão, em um processo impulsionado pela forte valorização imobiliária da região.
Moradores relatam preocupação com o aumento do trânsito, a pressão sobre a infraestrutura urbana e a perda das características históricas do bairro. “Pode construir, o progresso existe, mas o respeito e o planejamento precisam acontecer. Moro aqui há mais de 45 anos e nunca vimos obras nessa intensidade”, afirma a moradora identificada como S.P.
Além do crescimento acelerado de empreendimentos, críticas também recaem sobre a quantidade de vagas de garagem nos novos edifícios, contrariando, segundo moradores, a proposta do Plano Diretor de incentivar construções próximas ao transporte público com menor circulação de carros.

A falta de planejamento cicloviário também é alvo de reclamações. O distrito do Itaim Bibi ocupa posição considerada baixa em oferta de ciclovias, o que, segundo moradores, dificulta deslocamentos sustentáveis e amplia a dependência do automóvel.
Outro ponto apontado é a substituição gradual de pequenos comércios e espaços tradicionais por grandes empreendimentos. Para o estudante de arquitetura Daniel Mendonça, a saída de estabelecimentos históricos enfraquece a identidade do bairro. “O que atrai novos moradores está desaparecendo”, afirma.
Moradores também reclamam dos impactos cotidianos das obras, como barulho constante, caminhões nas ruas estreitas e dificuldades de circulação nas calçadas. “Dormir, caminhar e ter tranquilidade virou luxo”, resume W.V.G., morador da região.
Apesar das críticas, parte dos moradores reconhece a necessidade de adensamento urbano em regiões com ampla oferta de serviços e empregos. O principal pedido, no entanto, é por maior diálogo entre poder público, construtoras e comunidade para preservar a qualidade de vida e a identidade urbana do bairro.


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