A década de 1970 foi a mais marcante do século XX, seja na cultura, no entretenimento ou no jornalismo, alterando completamente o modo de se vestir e de se comportar da década passada. Isso graças a influência da contracultura hippie, levando grandes diretores ao cinema com a intenção de se opor ao Código Hays vigente durante a Era do Ouro de Hollywood.
A chegada do homem à Lua foi uma forma de desafiar Deus, a exemplo da Torre de Babel; assim como O Exorcista e O Bebê de Rosemary bateram de frente com a moral e os bons costumes cristãos.
Taxi Driver (1976) completou 50 anos em 8 de fevereiro de 2026, sendo um retrato fiel dessa sociedade degradada e suja — a lá Dostoievski em Notas do Subterrâneo — cujo protagonista foi inspirado no próprio roteirista do filme, Paul Schrader, enquanto sofria de depressão e problemas financeiros após se separar da esposa e ter que morar de favor em Nova York.
Schrader afirmou, no entanto, que a tentativa de assassinato ao candidato democrata Charles Palantine (Leonard Harris) foi inspirada no caso real de Sara Jane Moore, que se tornou brevemente uma celebridade após tentar assassinar Gerald Ford, cujo objetivo era desencadear uma revolução violenta visando derrubar o governo dos EUA, em vez de se vingar de um amor não correspondido — interpretado por Cybill Shepherd.
Três semanas depois, aquele presidente republicano sofreu outro atentado grave: dessa vez pela integrante da Família Mason, Squeaky Fromme.
Já a tentativa de assassinato do outro presidente republicano Ronald Reagan por John Hinckley Jr. (segunda-feira, 30 de março de 1981) visava impressionar a atriz Jodie Foster depois de viver a prostituta Iris Steensma no filme de Scorsese, por quem o solitário Travis Bickle (Robert De Niro) se sentia atraído, revelando-se um pedófilo infantilizado, amante de filmes porno e junk food depois do trabalho noturno estressante pela cidade que nunca dorme, num loop sem fim.
Tubarão (1975) deveria ter estreado no Natal do ano anterior, mas os problemas recorrentes com o tubarão mecânico de 6 metros de comprimento acabou adiando o lançamento do filme de Spielberg para 20 de junho de 1975, tornando-se o primeiro blockbuster da história do cinema, responsável por alterar a estação de grandes lançamentos no cinema: do inverno para o verão americano.
Por isso, Bruce (o tubarão branco em tamanho real) aparece em tela por apenas 4 minutos, e só depois da primeira metade daquele filme de terror, sendo substituído com maestria pelo famoso tema musical orquestrado por John Williams conforme se aproximava de forma cadenciada das vítimas indefesas — com exceção aos ataques falsos.
Para caçá-lo — seja na praia ou em alto mar — temos a presença do homem comum transformado em herói depois de concluir as 12 etapas da jornada clássica.
O policial Martin Brody (Roy Scheider) foi auxiliado pelo oceanógrafo Matt Hooper (Richard Dreyfuss) e pelo dono do pequeno barco pesqueiro "Orca" em homenagem ao único predador de tubarão branco conhecido.
Quint (Robert Shaw) foi a quinta vítima daquele assassino dos mares; mas, coincidentemente ou não, era o mais arrogante do trio, traumatizado após naufragar durante a Segunda Guerra Mundial.
Os Embalos de Sábado à Noite (1977) retratam a meteórica "Disco Fever" ao som de Bee Gees, Donna Summer, Village People e ABBA na pista de dança da "2001 Odyssey", a mais badalada de Nova York.
A trilha sonora do filme vendeu mais de 20 milhões de cópias e foi o álbum mais vendido da história até ser superado pelo álbum Thriller (1982) e pela trilha sonora de O Guarda-Costas (1992).
O ítalo-americano do Brooklyn, Tony Manero (John Travolta): de pais tradicionais e um irmão aspirante á padre, é o retrato perfeito daquela juventude apaixonada por Rocky Balboa e pela pantera Farrah Fawcett, ambos estampados na parede do seu quarto.
Aquele excelente dançarino trabalhava na semana para gastar todo o seu suado dinheirinho na discoteca onde era reconhecido por colegas vestidos com as mesmas camisas chamativas, calças boca de sino e sapatos de plataforma.
Naquele tempo, as matérias jornalísticas passavam pelo crivo das três peneiras antes de serem publicadas.
O entrevistador vestido de terno e gravata era bem educado com todos os entrevistados da casa, sem fazer perguntas constrangedoras.
Antes de redigi-las na saudosa máquina de escrever, ele consultava o precioso caderninho de anotações, a fim de nunca confiar na sua memória.
Foi o caso da investigação minuciosa, clara e objetiva dos repórteres do jornal Washington Post: Carl Bernstein (Dustin Hoffman) e Bob Woodward (Robert Redford) que levou à renúncia do presidente Richard Nixon, baseado no livro homônimo adaptado no cinema há exatos cinquenta anos.
Em Todos os Homens do Presidente (1976) cinco ladrões invadem a sede do Partido Democrata, em 1972, no edifício Watergate, ligados a um esquema de corrupção envolvendo a CIA e o FBI, liderado pelo chefe de gabinete da Casa Branca e o tesoureiro do comitê de campanha para a reeleição daquele presidente republicano que estava atrás de Edmund Muskie nas pesquisas de intenção de voto um ano antes do escândalo de Watergate acontecer