A expansão do Butantan e os grandes riscos ignorados

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Neste artigo resumido a professora Shirley Schreier do Instituto de Química da USP, aponta as aberrantes contradições existentes no processo de expansão física da planta industrial de biofármacos que vem sendo conduzido pela polêmica Fundação do Instituto Butantan.
A expansão industrial do Instituto Butantan, conduzida pela Fundação Butantan, reacende um debate essencial: é adequado instalar fábricas de vacinas em área densamente povoada, entre o Butantã — especialmente a Vila Indiana — e a Cidade Universitária da USP, por onde circulam até 100 mil pessoas por dia?
Normas nacionais e internacionais, como as da Organização Mundial da Saúde (OMS), exigem avaliações rigorosas de risco biológico, definição de níveis de biossegurança (NB-1 a NB-4), sistemas de contenção, planos de emergência e criteriosa seleção do local. Para agentes de maior risco, recomenda-se distância de áreas residenciais, minimizando impactos à comunidade. Ainda que os sistemas reduzam perigos, nenhum é infalível.

Criado em 1901, em área então isolada para garantir segurança às pesquisas de Vital Brazil, o Butantan hoje está inserido no tecido urbano. Cerca de 60% de seu terreno abriga remanescentes de Mata Atlântica — uma rara floresta urbana tombada pelo Condephaat e pelo Conpresp, com árvores protegidas por decreto. A Fazenda São Joaquim, em Araçariguama, com perfil industrial consolidado, já abriga parte da produção inicial de soros, o que suscita questionamentos sobre a necessidade de ampliar o parque fabril na capital.
O Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado (PDDI) prevê novas construções e uma usina termoelétrica, com supressão de vegetação e impermeabilização do solo. Relatórios técnicos do CAEx, órgão de apoio ao Ministério Público, apontaram impactos ambientais em córregos e áreas de preservação permanente.
Há ainda controvérsias sobre a governança Instituto/Fundação, incluindo questionamentos do Tribunal de Contas do Estado. Paralelamente, o próprio instituto projeta atrair até 1 milhão de visitantes por ano, o que pode agravar trânsito e adensamento.
Moradores denunciam ruído contínuo e ausência de diálogo. Diante desse cenário, permanece a pergunta central: por que não considerar a instalação das novas fábricas em área industrial afastada de bairros residenciais?
*Shirley Schreier é bioquímica, pesquisadora e professora sênior do Instituto de Química da USP


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