A canafístula da Rua Artur de Azevedo – FICA!

Símbolo da resistência verde em Pinheiros

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4 Min

por Rosanne Brancatelli*
Pinheiros vive uma transformação acelerada. Desde o Plano Diretor de 2014, que incentivou o adensamento próximo às linhas de transporte de massa — e agravou seus efeitos na revisão de 2023 —, o bairro tem assistido à substituição de casas e árvores por prédios e corredores de concreto. Nesse cenário, cada casa e cada árvore perdida representam não apenas a supressão de vegetação, mas também o apagamento de memórias e da qualidade ambiental.
Entre tantas perdas, a canafístula da Rua Artur de Azevedo tornou-se símbolo de resistência. Há mais de 40 anos, suas flores perfumadas atraem abelhas, joaninhas e embelezam o bairro. A árvore já havia sofrido quando suas raízes foram cimentadas, mas, graças à mobilização do movimento Pró-Pinheiros, o berço foi reaberto e ela voltou a florescer — como um agradecimento silencioso à atenção dos vizinhos.

Casas demolidas, árvores sacrificadas
O entorno da canafístula também mudou radicalmente. As casas coloridas e recuadas, que abrigaram famílias e depois comércios locais, foram demolidas pela incorporadora Zarvos, apesar dos pedidos da sociedade civil para preservar o patrimônio e criar um espaço cultural. Após protestos e até um abraço coletivo de despedida, a empresa ignorou os apelos e destruiu as construções. Mais tarde, o terreno foi vendido para a Kallas, que apresentou um projeto ainda mais agressivo.
Nesse processo, outras árvores da calçada já foram perdidas: um chapéu-de-sol que sombreava o ponto de táxi, um jambeiro e outros exemplares não identificados. O bairro, cada vez mais verticalizado, vê sua cobertura verde desaparecer e o solo tornar-se cada vez mais impermeabilizado.
A tentativa de supressão
No início de 2026, em 2 de janeiro, a empresa terceirizada da subprefeitura, a Florestana, tentou cortar a canafístula, amparada por uma autorização publicada apenas no Diário Oficial — veículo pouco acessado pela população. Não houve aviso antecipado na própria árvore para informar os moradores locais sobre a supressão ou poda, e o prazo de contestação concedido na publicação era de apenas seis dias.
A ação foi recebida com indignação. Representantes do Pró-Pinheiros e advogados voluntários se mobilizaram, enviando cartas ao subprefeito Ygor Costa, à Florestana e à Enel, responsável por podas drásticas. A resposta inicial foi decepcionante: a subprefeitura alegou não ter poder para revogar decisões da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente.
Mobilização cidadã – uma semi-vitória
A pressão da sociedade civil, no entanto, ganhou força. O movimento recebeu apoio de ativistas e parlamentares, como o ex-deputado Fábio Feldman, e de assessores de vereadores como Eliseu Gabriel, Marina Bragante e Nabil Bonduki. Finalmente, após intensa articulação, o subprefeito e o secretário do Verde e do Meio Ambiente suspenderam a supressão da árvore para uma nova análise.
Os moradores celebraram a decisão como uma semi-vitória. Reanálise não significa revogação definitiva da supressão. A canafístula ainda não está completamente salva, e há temor de que decisões sejam tomadas sem transparência ou que a reanálise seja apenas temporária, para arrefecer a mobilização. Por isso, o acompanhamento continua, com abaixo-assinado em crescimento e vigilância constante.
Mais que uma árvore
A luta pela canafístula representa a luta contra a perda de mais de 5.000 árvores em cinco anos em Pinheiros, resultado da verticalização desenfreada. Cada árvore simboliza sombra, frescor, biodiversidade e memória coletiva. Defender a canafístula é defender o direito à cidade verde, à qualidade de vida e à preservação de um bairro que não pode ser reduzido a concreto e vidro em plena crise climática. Pinheiros segue como exemplo para que outros bairros — e também a periferia — defendam suas árvores, praças e bosques.

*Rosanne Brancatelli, representante do Movimento Urbano Ambiental
Pró-Pinheiros
https://c.org/5hmDYGwTKJ


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