Emergência climática: engenharia e transformação ecológica

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A emergência climática é cada vez mais visível. Em 2024, ultrapassamos pela primeira vez o limite de 1,5ºC de aquecimento global médio, com temperatura de 15,10°C — o ano mais quente já registrado. No Brasil, as consequências são dramáticas: inundações devastaram o Rio Grande do Sul, incêndios aumentaram a poluição em São Paulo e a Amazônia enfrentou uma das piores secas da história.
Eventos extremos afetam principalmente os mais vulneráveis e mostram a fragilidade da infraestrutura urbana. Em São Paulo, uma chuva de 125 mm em duas horas causou colapso em rodovias e alagamentos. O Metrô não resistiu. Drenagens subdimensionadas e ausência de planejamento agravam os danos.
A engenharia tem papel crucial na adaptação ao novo cenário. A recém-aprovada Lei nº 14.904/2024 obriga planos de adaptação climática. Cidades como Santos, São Paulo e Recife já avançam nesse sentido.

Soluções baseadas na natureza (SbN) — como áreas verdes e drenagem sustentável — são estratégicas. Tecnologias já disponíveis incluem energia solar, eletrificação de frotas, reciclagem, agricultura orgânica e engenharia florestal. Mas tudo depende de decisões políticas e mudança do modelo socioeconômico atual.
A falta de ação sai caro: enchentes causam prejuízos de R$ 3,6 bilhões ao ano, e a poluição do ar gera custos superiores a R$ 15 bilhões anuais. Investimentos em infraestrutura verde, energia limpa e mobilidade sustentável são urgentes.
A engenharia deve liderar essa transição, integrando ciência, inovação e justiça social para tornar as cidades resilientes, sustentáveis e preparadas para um futuro climático incerto.

*Artigo condensado do engenheiro Ivan Carlos Maglio, pesquisador do Lab-Verde da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da USP, e Miguel Manso, coordenador de Políticas Públicas da EngD – Engenharia pela Democracia. *Jornal da USP


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