Uma pesquisa recente conduzida pela empresa Ernst & Young em parceria com a agência Maturi, realizada no ano de 2022, lançou luz sobre o cenário do mercado de trabalho brasileiro para pessoas com mais de 50 anos. O estudo abrangeu quase 200 empresas em todo o país, fornecendo insights valiosos sobre as dinâmicas e desafios enfrentados por trabalhadores nessa faixa etária.
De acordo com os resultados da pesquisa, a maioria das empresas pesquisadas apresenta uma proporção de 6% a 10% de colaboradores com mais de 50 anos em seu quadro funcional. No entanto, o estudo também revelou que 78% das empresas se consideram "etaristas", demonstrando a existência de barreiras significativas para a contratação e inclusão de profissionais mais maduros.
A professora Kátia Cristina Marcolino (55), coordenadora dos cursos de Tecnologia da Informação (T.I) da
Faculdade de Educação Paulistana (FAEP), contextualiza essa problemática ao destacar que o ageísmo, também conhecido como etarismo ou idadismo, transcende o âmbito social e exerce uma influência notável no mercado de trabalho. Ela enfatiza que esse fenômeno perpetua a marginalização dos idosos de maneira geral, com contornos ainda mais complexos para as mulheres, que enfrentam barreiras adicionais tanto na aceitação social quanto na busca por oportunidades profissionais.
A educadora chama a atenção para o "ageísmo de gênero," um conceito que descreve a discriminação específica enfrentada pelas mulheres à medida que envelhecem. “Enquanto os homens frequentemente são valorizados e recompensados por sua acumulação de experiência com o passar dos anos, as mulheres enfrentam obstáculos únicos. Desde serem rotuladas como inexperientes quando jovens, até lidar com as pressões da meia-idade enquanto tentam equilibrar trabalho, família e vida pessoal, elas frequentemente enfrentam estereótipos negativos.” Na terceira idade, as oportunidades de liderança e valorização são ainda mais escassas em comparação aos homens.
Segundo a professora, outra questão complexa é a pressão para que os idosos adotem comportamentos jovens, muitas vezes extremos, para serem aceitos e atenderem aos padrões impostos pela sociedade. Algo que também se manifesta no contexto profissional, onde a juventude é muitas vezes sobrevalorizada em detrimento da rica experiência e conhecimento acumulado que os mais velhos têm a oferecer.
Diante de tudo isso, Kátia destaca a importância de valorizar a longevidade e a experiência adquirida ao longo dos anos de dedicação ao trabalho e à família. Ela argumenta que a busca constante por uma juventude artificial, especialmente entre as mulheres mais velhas, é uma injustiça que mina o valor intrínseco de cada estágio da vida.
Para a educadora, a inclusão autêntica de pessoas idosas exige uma mudança profunda no pensamento empresarial, com a implementação de políticas de contratação e retenção de talentos que valorizem tanto a experiência quanto a inovação. Isso não apenas beneficia as empresas, estimulando a criatividade e a eficácia, mas também promove a igualdade de oportunidades, independentemente da idade ou gênero. O objetivo é criar um ambiente onde as pessoas possam ser autênticas e contribuir com base em suas experiências pessoais, em vez de se conformarem com estereótipos ultrapassados.
Conforme a população mundial envelhece, a sociedade como um todo deve reavaliar suas atitudes e implementar programas de apoio e proteção social. “A verdadeira inclusão e diversidade só podem ser alcançadas dando a todos as mesmas oportunidades. Somente quando reconhecermos e celebrarmos as contribuições de cada indivíduo, independentemente de sua idade, poderemos aproveitar todo o potencial da multiplicidade de experiências e conhecimentos que cada um traz consigo”, conclui Kátia.
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