Disputa sobre indenização trava criação de parque com Mata Atlântica na Zona Sul

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A implantação do futuro Parque Chácara Alfomares, em Santo Amaro, está paralisada por uma disputa judicial envolvendo o valor da indenização que a Prefeitura deverá pagar pela desapropriação do terreno. A área, de aproximadamente 63 mil metros quadrados, abriga um importante fragmento de Mata Atlântica em regeneração e é prevista pelo município como um novo parque público.
Divergência de valores
O impasse envolve a Prefeitura e a Viver Incorporadora. O principal ponto de divergência é o cálculo do valor do terreno após mudanças no zoneamento urbano. Uma perícia judicial apontou que a área, antes avaliada em cerca de R$ 115,2 milhões, passou a valer aproximadamente R$ 11,5 milhões após ser enquadrada como Zona Especial de Proteção Ambiental (ZEPAM), em 2024.

Nova perícia
Diante da diferença entre as avaliações, a Justiça determinou a realização de uma nova perícia e solicitou manifestação do Ministério Público antes de definir o valor final da indenização. A história do Jardim Alfomares envolve uma disputa que se arrasta há mais de duas décadas. Em 2001, a área foi adquirida pela incorporadora com a intenção de construir um condomínio residencial de alto padrão. O projeto chegou a receber autorizações, mas foi embargado em 2008 após questionamentos do Ministério Público sobre as licenças ambientais. Com a paralisação das obras, a vegetação voltou a ocupar grande parte do terreno.
Relevância ecológica
Estudos ambientais reforçaram a relevância ecológica da área. Um levantamento do Herbário Municipal identificou 111 espécies vegetais, incluindo árvores ameaçadas, além de 171 espécies de animais, principalmente aves, algumas presentes em listas de proteção ambiental.
A revisão do Plano Diretor Estratégico incluiu a área entre os parques previstos para implantação pela Prefeitura. Em 2023, o município declarou o terreno de utilidade pública para futura desapropriação.
A comunidade local acompanha o processo e defende a preservação integral da mata. Representantes de associações ambientais afirmam que o espaço possui papel estratégico para a biodiversidade da região e defendem que o futuro parque tenha uso controlado, com visitas guiadas e atividades de educação ambiental.


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